Crónica de jogo

Benfica recuperou a vocação goleadora e alcançou o FC Porto

“Encarnados” igualam melhor resultado da época com triunfo por 6-0 na Luz sobre o Marítimo.

Pizzi marcou os dois primeiros golos do jogo entre o Benfica e o Marítimo
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Pizzi marcou os dois primeiros golos do jogo entre o Benfica e o Marítimo PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP

É uma coincidência estatística reveladora. O Benfica tem quatro jogos no campeonato em que não marcou qualquer golo e esses jogos (Arouca, Sporting, FC Porto e União da Madeira) resultaram em três derrotas e um empate. Claro que qualquer equipa precisa de marcar para ganhar, mas os “encarnados” têm passado pela Liga portuguesa com duas identidades: uma de vocação goleadora sem par, a outra de absoluta falta de inspiração. Nesta quarta-feira, apresentou-se na Luz a identidade que deixa Rui Vitória mais feliz. O Benfica goleou o Marítimo por 6-0 e vai-se mantendo bem vivo na luta pelo título, até porque beneficou do empate do FC Porto e alcançou os "dragões" na segunda posição da classificação.

Numa jornada a meio da semana, coisa rara na Liga portuguesa, os “encarnados” voltaram a ter um resultado gordo no campeonato — igualaram a maior goleada da época, um 6-0 ao Belenenses — e reforçaram o estatuto de melhor ataque (41 golos) naquele que foi o seu sétimo jogo a ganhar por três ou mais de diferença.

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Ainda assim, os “encarnados” mostraram uma primeira meia-hora de futebol pouco ligado que ainda arrancou alguns (poucos) assobios da Luz. Isto claro, antes dos seis minutos que decidiram o jogo. Depois, foram só aplausos.

Antes dos golos, duas referências importantes. O internacional marroquino Carcela González foi titular pela primeira vez no campeonato porque Gaitán não estava disponível.

O Marítimo, por seu lado, foi obrigado a trocar de guarda-redes aos 5’ por lesão do titular Salin. José Sá entrou para o jogo, sem saber ainda o que iria acontecer, e até deu boa impressão aos 13’, quando defendeu um remate de Jiménez após passe brilhante de Jonas. E também é justo dizer que o Marítimo, enquanto o jogo esteve a zeros, ainda assustou Júlio César duas vezes, a mais perigosa aos 20’, quando Dyego Sousa não deu o melhor seguimento ao passe de Edgar Costa.

Depois, as bolas começaram a entrar com enorme facilidade na baliza do Marítimo. Os dois primeiros golos tiveram os mesmos protagonistas com os mesmos papéis. Carcela a criar e Pizzi a marcar, aos 29’ e aos 34’. Aos 35’, Jiménez marcou na recarga após um primeiro remate de Jonas desviado por Sá.

Na segunda parte, a defesa madeirense entrou em colapso total e em três minutos fez dois penáltis, o primeiro de João Diogo sobre Jonas, o segundo de Raul Silva sobre Carcela. Ambos foram convertidos por Jonas aos 51’ e 54’. E ainda faltava Talisca voltar aos golos, algo que já não fazia precisamente desde a tal goleada ao Belenenses. Aos 69’, na primeira vez que tocou na bola (tinha acabado de entrar), fez uso do seu pé esquerdo e deu mais cor ao marcador.