Ministro da Cultura vai receber shortlist com nomes para o São Carlos

Recomendação é feita por grupo de peritos que inclui a maestrina Joana Carneiro e o director do Serviço de Música da Gulbenkian.

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ENRIC VIVES-RUBIO

Um grupo de peritos na área da ópera deverá apresentar esta quarta-feira ao ministro da Cultura uma lista curta de nomes com o perfil que considera adequado para o cargo de director artístico do Teatro Nacional de São Carlos, soube o PÚBLICO. O único teatro de ópera em Portugal, situado em Lisboa, está sem director artístico desde 2013.

O grupo baseia a sua escolha nas cerca de 15 de candidaturas apresentadas a uma consulta internacional lançada no início de Outubro ainda pelo anterior Governo. A sua recomendação, que não é vinculativa, é apenas a primeira fase de um processo de escolha que caberá à tutela. Não está previsto que a shortlist seja divulgada publicamente.

Este “grupo de apreciação”, como é chamado, é constituído por Adriano Jordão, vogal do conselho de Administração do Opart, o organismo que gere o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, Joana Carneiro, maestrina titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, João Paulo Santos, director de estudos musicais e director musical de cena do TNSC, Paulo Ferreira de Castro, professor de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa e antigo director artístico do São Carlos, e Risto Nieminen, director do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian.

Este domingo, a soprano portuguesa Elisabete Matos revelou ao Diário de Notícias que estava na corrida à direcção artística do teatro para tirar o São Carlos da "deriva em que tem vivido". A cantora previa que o ministro da Cultura já tivesse consigo a recomendação do grupo de apreciação, uma vez que o prazo do concurso internacional já expirara.

Mas a shortlist deverá apenas ficar fechada na reunião do grupo prevista para esta quarta-feira, porque o prazo para a entrega da recomendação foi prolongado depois de as candidaturas terem chegado às suas mãos com um pequeno atraso, segundo o PÚBLICO apurou. O grupo recebeu candidaturas de todo o mundo: Austrália, Brasil, México, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Estados Unidos. E também de Portugal.

Foi o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais que noticiou a 2 de Outubro a abertura de uma consulta “para a identificação de personalidades com perfil para o cargo de director artístico do Teatro Nacional de São Carlos”. Segundo o documento que se encontra no site do GEPAC, o processo de consulta, que foi lançado por um despacho de Setembro do anterior Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, devia terminar a 30 de Novembro com uma “recomendação não vinculativa” ao ministro da Cultura, que “decidirá com total liberdade pela nomeação, ou não, de uma das personalidades recomendadas”.  

Segundo o assessor de imprensa do ministro da Cultura, Horácio César, “prevê-se que o parecer possa ser concluído e comunicado internamente em breve”. Depois de contactado pelo PÚBLICO na sequência das declarações de Elisabete Matos, o assessor lembrou que a recomendação "não é vinculativa” e que se trata “do seguimento de um processo que vinha do Governo anterior”.

Dois anos sem director
A temporada actual do teatro, que termina em Junho de 2016, foi feita com o consultor britânico Patrick Dickie, que veio substituir Paolo Pinamonti, também ele um consultor. O musicólogo italiano, que foi director artístico do São Carlos entre 2001 e 2007, deixou o cargo de consultor no final de 2014 no meio de uma polémica, que envolveu mesmo a demissão do conselho de administração do Opart, devido a suspeitas de incompatibilidade por Pinamonti acumular as funções no São Carlos com a direcção do Teatro de la Zarzuela de Madrid.

O compromisso de Dickie, um programador convidado, é só com esta temporada que começou em Setembro e foi desenhada num prazo recorde de dois meses. O último director artístico do São Carlos foi Martin André, que terminou o seu mandato a 31 de Julho de 2013.

Como disse a maestrina Joana Carneiro na apresentação em Julho da nova temporada do São Carlos, o “maior desafio” do teatro “tem a ver com a necessidade de encontrar um director artístico”. Sem um director artístico, o São Carlos, continuou, “não pode trabalhar a longo prazo, não pode construir relações sólidas com artistas, com encenadores e outros teatros”.

Segundo dados fornecidos pelo Opart na apresentação da temporada, este organismo conta com um orçamento de 20,8 milhões de euros, dos quais 1,8 são gastos com a programação do São Carlos, o que representa 9% do total (a temporada da CNB custa 1,1 milhões, 5,5% do total, mas conta com um mecenas que assegura um terço desse valor, a EDP).

O grupo, que apenas continuou o seu trabalho depois de ter tido luz verde da actual tutela, poderá estar disponível para tornar a shorlist mais curta e envolver-se na segunda fase da escolha.