Marcelo nega representar direita, Edgar Silva não exclui poder liderar PCP

A banca voltou a estar no centro de mais um debate presidencial, desta vez entre o antigo comentador e o candidato apoiado pelo PCP.

Marcelo reitera que Seguro fez uma alteração estatutária sem autorização do Congresso.
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Marcelo reitera que Seguro fez uma alteração estatutária sem autorização do Congresso. Nuno Ferreira Santos

O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa negou nesta terça-feira representar a direita, apesar de ter recomendações de voto de PSD e CDS-PP, durante um debate com Edgar Silva, que não excluiu poder liderar o PCP.

Neste debate na RTP1, Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, acusou Marcelo Rebelo de Sousa de dissimular os apoios do PSD e do CDS-PP e associou-o ao actual Presidente da República, Cavaco Silva. "Não sou o candidato de direita", contrapôs o social-democrata, apresentando-se como um candidato "heterodoxo e independente".

Mais à frente, em resposta a Edgar Silva, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não está "a concorrer para líder partidário" e que "nunca mais" voltará a liderar o PSD. Depois, desafiou o seu oponente a esclarecer, "já agora", se também exclui a liderança do seu partido. "Eu? Quem decide isso são os militantes do PCP", respondeu o comunista madeirense.

Na parte final do debate, dedicado à situação da banca, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o Presidente da República "deve vir a ter, sob proposta do Governo", poderes de nomeação do governador do Banco de Portugal. Edgar Silva considerou que essa não é "a questão central".

Sobre a venda ou não do Novo Banco, o candidato apoiado pelo PCP declarou-se a favor do "controlo público", enquanto o antigo presidente do PSD afirmou que, se houver "condições minimamente positivas", então "deve ser vendido".

Quanto à permanência de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, Marcelo referiu que anteriormente já teve oportunidade de dizer que "ele próprio deveria ter saído pelo seu pé", por entender que "estava esgotada a sua experiência num determinado quadro".

Por sua vez, Edgar Silva sustentou que, "mais do que a pessoa" que está à frente do Banco de Portugal, o importante é haver "controlo público" da banca e uma alteração das "regras do jogo".

Ainda sobre o sistema bancário, perante o cenário de uma "outra surpresa" como a do Banif, Marcelo Rebelo de Sousa observou: "Esperemos que não haja novas surpresas".

Logo no início deste frente a frente, moderado pelo jornalista João Adelino Faria, o ex-comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado e confrontado com as recomendações de voto do PSD e do CDS-PP, e declarou que não as recusa e que as agradece, mas não se sente "nada vinculado" por isso.

"Aliás, já disse várias coisas que não sei se agradaram muito a quem me recomendou esse voto", prosseguiu, adiantando que "está enganado" quem pensa que irá usar a dissolução do Parlamento "como uma arma de vingança de segunda volta em termos das legislativas" ou que tem "reservas relativamente ao apoio a um Governo que tem legitimidade parlamentar e que quer fazer uma legislatura".

Edgar Silva apontou Marcelo Rebelo de Sousa como um candidato "da continuidade" dos mandatos de Cavaco Silva e contestou o seu posicionamento nesta campanha, alegando que "faz parte da arte do disfarce", e para o efeito citou a seguinte frase do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho: "Não me incomoda nada a táctica eleitoral que o professor Rebelo de Sousa escolha".

O dirigente comunista invocou também uma notícia do Expresso de 2008 segundo a qual o então comentador político assumia que as suas análises eram "sempre tendencialmente favoráveis ao PSD, mesmo quando não parecem".

Marcelo Rebelo de Sousa, contudo, disse tratar-se de supostas declarações suas numa reunião partidária e que posteriormente rectificou a notícia.