Segurança reforçada nas festas públicas da passagem do ano

Portugal mantém-se no nível quatro de ameaça numa escala de cinco, mas autoridades garantem que não há nenhum factor concreto de alerta.

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O reforço do policiamento é visível em algumas zonas das maiores cidades portuguesas Marco Duarte

Não se assuste se vir polícias com coletes à prova de bala e metralhadora a policiar as festividades públicas da passagem de ano, nas principais cidades do país. A PSP garante que vai continuar a aparecer de “forma ostensiva e activa” no âmbito da operação Festas em Segurança, focando a sua atenção nos locais de maior afluência de cidadãos. A GNR adianta que este ano o dispositivo para o fim-de-ano é similar ao dos anos anteriores, e um seu porta-voz, o capitão Ricardo Silva, afirma que a estratégia é mesmo de “contra-alarmismo”, no que parece ser uma crítica implícita à actuação da PSP.

Estratégias à parte, PSP, GNR, Polícia Judiciária (PJ) e secretária-geral do Sistema de Segurança Interna insistem que não há razões para alarme, já que não há nada de concreto que indicie a iminência de um atentado em Portugal. Isto apesar de ninguém querer precisar que Portugal está no nível quatro de ameaça numa escala de cinco, nem concretizar desde quando é que o país apresenta este nível de risco.

No entanto, todos desmentem categoricamente vários boatos que circulam de boca em boca e nas redes sociais sobre potenciais atentados nas festividades da passagem do ano. Possivelmente alimentados por notícias que chegam de fora. Ainda ontem as autoridades belgas decidiram cancelar o tradicional fogo-de-artifício de fim de ano, em Bruxelas, depois de no dia anterior ter sido anunciada a detenção de dois suspeitos de estarem a preparar atentados terroristas na capital belga na véspera de Ano Novo. Tal levou as forças de segurança a elevarem o nível de alerta. Uns dias antes fora a vez da polícia austríaca fazer saber que serviços secretos "amigos" avisaram várias capitais europeias sobre um possível ataque a tiro ou à bomba antes do Ano Novo, o que levou a que muitos países aumentassem as medidas de segurança. Não foi o caso de Portugal, que mantém o nível de alerta pelo menos desde os atentados terroristas de Paris, em meados de Novembro.

A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, afirmou ao PÚBLICO, que o grau de ameaça em relação a Portugal “mantêm-se inalterado, em moderado”, não havendo razões para alarme. “Não havendo de momento alterações a registar, não se justifica a introdução de medidas excepcionais, o que não impede o reforço de segurança em determinados momentos e ou locais”, diz Helena Fazenda. E acrescenta: “Devem imperar a serenidade e a racionalidade, sem alarme, estando assegurada a articulação e a coordenação de todas as forças e serviços de segurança”.

Uma fonte da Unidade Nacional de Contra Terrorismo (UNCT) da PJ admite que o contexto internacional tem tornado mais intensa a troca de informações entre as polícias europeias, estando as autoridades nacionais particularmente atentas a todos os eventuais sinais de qualquer problema. “Estamos atentos a coisas que normalmente desvalorizaríamos. Estamos a despistar tudo”, admite fonte da UNCT, que insiste que não existe qualquer elemento concreto que indicie a preparação de qualquer ataque em Portugal.  “Os problemas normalmente acontecem quando estamos com as guardas em baixo. Agora está tudo profundamente controlado”, acredita fonte da PJ. Outro responsável daquela polícia desvaloriza as detenções anunciadas anteontem em Bruxelas, realçando que não foram sequer encontradas armas nem explosivos na posse dos suspeitos.

A PSP confirma o reforço habitual do policiamento no fim-de-ano. “Como é habitual nas passagens de ano, será reforçado o policiamento das festas, comemorações e grandes aglomerados de pessoas nos centros das cidades. As medidas concretas de policiamento são determinadas para cada caso em função do local e tipo de evento”, refere a direcção-nacional, numa resposta enviada por email. Estes reforços, assumem, “consideram igualmente o contexto actual de segurança europeia e mundial, nomeadamente ao nível de ostensividade da PSP em locais e infraestruturas de maior criticidade”. Apesar disso, a PSP também insiste que não existe “actualmente qualquer alteração da ameaça ou do estado de segurança relativamente a acções terroristas em qualquer parte do território nacional”.

O capitão Ricardo Silva, da GNR, confirma a intensificação do dispositivo desta polícia, essencialmente na fiscalização rodoviária, desde esta quinta-feira e até 3 de Janeiro, como nos anos anteriores. Este porta-voz afirma que a estratégia é de “contra-alarmismo”, havendo um reforço da segurança, com agentes da Unidade de Intervenção, no Algarve (Albufeira, Vilamoura e Quarteira) e também em Sesimbra e na Costa da Caparica. “Em termos de risco nada mudou e não há qualquer tipo de mudança no dispositivo”, refere ainda o capitão Ricardo Silva. 

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