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Autarcas reclamam imediata abolição de portagens na Via do Infante

O Partido Socialista diz ter a garantia de que o “assunto não está esquecido”, mas não se quer comprometer com valores nem datas.

Foi registada uma quebra na circulação de turistas espanhóis desde a introdução de portagens na Via do Infante
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Foi registada uma quebra na circulação de turistas espanhóis desde a introdução de portagens na Via do Infante Nuno Ferreira Santos
A Assembleia Intermunicipal do Algarve exige do Governo a “urgente abolição” das portagens na Via do Infante (VI),justificando tal medida com o facto de a região se sentir “economicamente” prejudicada pois a Estrada Nacional (EN) 125 não é uma alternativa à via rápida. A iniciativa partiu de duas moções — uma do Bloco de Esquerda e outra da CDU — apresentadas e votadas em separado. O Partido Socialista votou a favor das duas, o PSD diz que não está contra mas discorda da forma como Bloco se tem posicionado numa matéria que acha ter um interesse acima das lutas partidárias. Por isso, os sociais-democratas ficaram-se pela abstenção.
 
Decorridos quatro anos, após a introdução de portagens na VI, o que se verifica é que a “mobilidade na região regrediu cerca de 20 anos”. O motivo, diz a moção apresentada pelo BE, é que a EN 125 não passa de uma “rua urbana”, onde os acidentes continuam a suceder a um ritmo que faz desta via uma das mais perigosas do país. O Algarve, estima o Bloco – citando dados estatísticos da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária — corre o risco de chegar ao fim do ano com uma média de 27 acidentes por dia. “Uma situação trágica e insustentável por muito mais tempo”, enfatiza.
 
Durante a campanha eleitoral para as legislativas, o PS defendeu uma redução de 50% no preço das portagens, numa primeira fase. O PSD, na altura no poder, ficou-se pela “redução substancial”, evoluindo para a posição de “tendencialmente gratuita”. Na reunião da Assembleia Intermunicipal— órgão de 56 membros eleitos pelas assembleias municipais —, realizada nesta segunda-feira em Loulé, o líder da bancada do PSD, Gilberto Sousa, disse que só discordava da “partidarite” do Bloco na luta contra as portagens, numa alusão indirecta ao protagonismo que o BE tem tido nas manifestações anti-portagens. O líder da Comissão de Utentes da VI contra as portagens é João Vasconcelos, eleito nas últimas eleições deputado do Bloco pelo Algarve.
 
Da bancada do Partido Socialista, Paulo Morgado disse haver a garantia do Governo para uma “redução significativa” no valor das portagens como princípio para atingir a circulação gratuita. “Temos a garantia do primeiro-ministro que o assunto não está esquecido”, sublinhou. Já os comunistas defendem que não há mais tempo a perder com a repetição de argumentos sobejamente conhecidos. Por isso, propuseram “exigir da Assembleia da República uma resolução para a abolição das portagens”. A moção recebeu a quase unanimidade dos votos, tendo contado apenas com uma abstenção. Além do custo das portagens, o PSD destacou que a forma como é feita a cobrança (apenas por leitura electrónica) tem afastado os turistas espanhóis, um mercado turístico importante para a região.