Sócrates foi à prisão visitar amigos por "obrigação moral"

Ex-primeiro-ministro, que quis desejar boas festas aos amigos e aos guardas prisionais, fala em "momento especial"

José Sócrates, ex-primeiro-ministro
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José Sócrates, ex-primeiro-ministro Eric Vidal/REUTERS

O ex-primeiro-ministro José Sócrates voltou este sábado à cadeia de Évora, onde esteve preso preventivamente durante mais de nove meses. Acompanhado dos seus advogados de defesa, o antigo líder do PS justificou o regresso à prisão com "a obrigação moral" de, neste período natalício, visitar "os amigos que [ali] deixou".  Explicou ainda que quis desejar boas festas e cumprimentar os guardas prisionais que foram "sempre muito simpáticos" com ele. 

No final da visita, que durou mais de uma hora, Sócrates admitiu aos jornalistas que aquele foi  "um momento especial" e negou peremptoriamente que a visita tivesse qualquer significado político. "A única coisa que há nisto é a obrigação de um cidadão que tem uns amigos que deixou aqui na cadeia" e que quis  "vir visitá-los para desejar boas festas", explicou o ex-primeiro-ministro à saída do Estabelecimento Prisional de Évora.

Instado pelos jornalistas, José Sócrates, que ia acompanhado dos advogados João Araújo e Pedro Delille, acrescentou que, além do dever que sentiu de visitar os amigos nesta época natalícia, quis também "deixar-lhes palavras de coragem e de ânimo".

Para este domingo, o antigo líder do PS tem marcado um almoço num restaurante de Azurara, Vila do Conde, promovido pelo movimento cívico de apoio "José Sócrates, Sempre". Segundo a organizadora Ana Lúcia Vasques, está prevista a presença de cerca de 400 apoiantes.

O ex-primeiro-ministro esteve em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora durante mais de nove meses, indiciado pelos crimes de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Detido a 21 de Novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, no âmbito da investigação designada como "Operação Marquês", Sócrates ficou preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora. A medida de coacção acabaria por ser alterada para prisão domiciliária, com vigilância policial, a 4 de Setembro de 2015, e foi libertado a 16 de Outubro passado.

Além de José  Sócrates, são arguidos neste processo o ex-ministro socialista Armando Vara, a filha deste, Bárbara Vara, assim como Carlos Santos Silva, empresário e amigo de longa data do ex-primeiro-ministro. A lista de arguidos inclui ainda Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário (mulher de Carlos Santos Silva), o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

Os investigadores - que suspeitam que José Sócrates é o verdadeiro titular de vários milhões de euros encontrados nas contas de Carlos Santos Silva - pretendem ainda inquirir o empresário luso-angolano Hélder Bataglia (ausente em Angola) sobre pagamentos e transferências de verbas relacionadas com o empreendimento de Vale de Lobo, Algarve.