“Somos todos muçulmanos”, diz Michael Moore a Donald Trump

O realizador norte-americano escreveu uma carta aberta a Donald Trump, mostrando o desagrado com as declarações que o candidato presidencial proferiu no início do mês. “Somos todos muçulmanos” já é um movimento nas redes sociais, com a partilha de milhares de fotografias

Foto
DR

De “jeans” e boné, com uma expressão fechada, Michael Moore segura um cartaz branco em frente à porta da icónica Trump Tower, em Nova Iorque. “We are all muslim”, lê-se em letras pretas, escritas à mão. Na última quarta-feira, 16 de Dezembro, o realizador manteve-se à porta do edifício de Donald Trump até que a polícia se aproximou e o obrigou a sair.

O realizador de “Fahrenheit 9/11” (2004) respondeu assim às declarações que o candidato presidencial proferiu no início do mês, na sequência do ataque em San Bernardino. Nessa altura, Trump defendeu que todos os muçulmanos devem ser imediatamente impedidos de entrar nos EUA. “Donald J. Trump apela a uma total e completa interdição da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos até que os representantes do nosso país consigam perceber o que está a acontecer”, pode ler-se num comunicado partilhado pela candidato na sua conta do Twitter.

Michael Moore discorda da proposta do candidato republicano e, por isso, pede-lhe que deixe os norte-americanos “em paz” para que possam “eleger um presidente de verdade que seja compassivo e forte”. Após o episódio à porta do edifício do empresário, o realizador oscarizado em 2002 por “Bowling for Columbine” decidiu escrever uma carta aberta a Trump.

Depois de um preâmbulo a recordar a primeira vez que se cruzaram, em 1998, Moore usa estatísticas para provar como as eleições de Novembro de 2016 não serão decididas por “homens brancos zangados” como o próprio Trump. “81% do eleitorado que vai escolher o presidente no próximo ano são mulheres, pessoas de cor ou jovens entre os 18 e os 35 anos”, escreve o realizador.

A tentativa de Trump de banir a entrada de muçulmanos nos EUA é um acto “de desespero e insanidade”, continua. “Fui educado para acreditar que somos todos irmãos e irmãs uns dos outros, independentemente de raça, credos ou cores. Isto significa que, se quiser banir muçulmanos, terá primeiro que me banir a mim. E todas as outras pessoas.”

Antes de fazer um pedido a todos os que leiam a carta, partilhada nas redes sociais, aponta o dedo a Trump: “Somos todos muçulmanos. Lide com isso.” Moore apela a que assinem a carta e partilhem uma fotografia com a inscrição “We are all muslim” nas redes sociais. No Twitter, a “hashtag” #WeAreAllMuslim já tem milhares de subscrições de cidadãos que não se revêem na proposta anti-muçulmanos.