Projecto turístico de Trebilhadouro vence prémio de reabilitação urbana

Este ano, só uma categoria levou para casa troféu, sendo outros projectos distinguidos com menções honrosas.

Projecto de Trebilhadouro
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Projecto de Trebilhadouro DR

O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) só atribuiu, este ano, um prémio, tendo os restantes distinguidos levado para casa menções honrosas. O projecto turístico que reabilitou a aldeia de Trebilhadouro, em Vale de Cambra, foi a grande vencedora, com um trabalho que o arquitecto quis que fosse o mais invisível possível.

A cerimónia decorreu na manhã desta sexta-feira, na Casa da Prelada, no Porto, e deixou Isabel Fonseca e Áurea Santos, as duas promotoras do projecto turístico de Trebilhadouro a sorrir. As duas são as responsáveis pelas duas empresas que, com o apoio de fundos comunitários, reabilitaram a aldeia abandonada (e que acolheu, até 2011, um Festival de Artes e Culturas), transformando-a num projecto turístico. No final da cerimónia ambas se confessavam “muito felizes”, com Isabel Fonseca a assegurar: “Este prémio é inteiramente do arquitecto”.

E o arquitecto André Eduardo Tavares, que em 2013 já recebera um troféu IHRU pela reabilitação do edifício Casa de Campo, também em Vale de Cambra, não foi chamado, numa primeira instância, para receber o prémio, mas esteve presente na cerimónia e descreveu o trabalho realizado em Trebilhadouro como algo muito discreto. “Quis aproveitar o máximo que tinha, recuperando técnicas de construção tradicionais e os materiais da zona. Interessava-me que o trabalho do arquitecto passasse despercebido, que o resultado fosse uma obra muito serena, muito anónima”, disse ao PÚBLICO.

Apesar de não viver em Vale de Cambra, o arquitecto diz que tem raízes na região e que, por isso, tinha ainda muitas memórias de infância sobre as cores e texturas que habitavam as aldeias, pelo que não foi difícil transportar essa memória para o projecto actual.

Os resultados convenceram o júri do IHRU, liderado por Teresa Gouveia, e que, nesta 27.ª edição, não encontrou, nas restantes categorias, qualquer projecto que merecesse levar o troféu para casa. Por isso, as categorias “reabilitação de edifício” e “reabilitação ou requalificação do espaço público” ficaram-se pela atribuição de menções honrosas. No primeiro caso, foram distinguidos o restauro da Igreja e Torre dos Clérigos (Porto), a conservação e restauro das Sete Fontes (Braga) e o projecto do Torre de Palma Wine Hotel (Monforte); no segundo, a requalificação do espaço público de Alburrica (Barreiros).

Um resultado que Vítor Reis, presidente do IHRU, atribui à “exigência do júri”, num ano em que os candidatos foram muitos. “Tivemos um número muito, muito alargado de candidaturas – cerca de 30 –, provenientes de todo o país, o que é uma amostra muito clara da viragem do país para a reabilitação, em detrimento da construção nova”, disse.

A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado-Adjunto e do Ambiente, José Mendes, que salientou a importância da reabilitação urbana para o novo Governo, garantindo que este “está já a trabalhar no modelo a adoptar no novo Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado”. Uma medida que consta do programa do governo e que deverá sair do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, destinando-se a promover o mercado de arrendamento.

O governante aproveitou a presença no Porto para distinguir o “pioneirismo” da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) da cidade e de deixar uma crítica ao accionista nacional da Porto Vivo. “O Estado nem sempre se comportou como pessoa de bem, mas tal não foi suficiente para fazer esmorecer o município e outras entidades”, disse, na cerimónia promovida pelo IHRU, que é o representante do Estado na SRU portuense.

Depois de um acordo conseguido pela Câmara do Porto com o Governo de Pedro Passos Coelho, este ano, a SRU deverá passar a ser detida a 100% pelo município – uma solução que agradou aos dois accionistas e que só aguarda pelo visto do Tribunal de Contas.

Este terá pedido já alguns esclarecimentos ao município e, para que não restem dúvidas sobre a decisão já assumida, o executivo liderado por Rui Moreira deverá ratificar, na reunião de câmara da próxima terça-feira, o contrato de transmissão de acções outorgado entre o município e o IHRU e o contrato-programa firmado entre estes dois organismos e a SRU.

Vítor Reis anunciou ainda, durante a cerimónia, que a edição do próximo ano deverá contar com um novo membro no júri, em representação das entidades que zelam pelo património. O presidente do IHRU aproveitou a presença no Porto para dizer que irá convidar a APRUPP – Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património, que nasceu no Porto, para assumir o lugar que este ano foi do GeCORPA – Grémio do Património.