A queda da TV e dos canais temáticos sem conteúdos

Mesmo com os novos serviços da televisão por cabo, são cada vez mais as pessoas que optam por desligar a TV

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A televisão está cheia de bizarrias. São essas coisas que supostamente vendem, pela novidade que trazem em tempos de valorização do efémero. Vivemos em sociedades contemporâneas de consumo à velocidade da fibra óptica. Por princípio nada de mal nisso, pois, por serem assim se comprova que são livres no acesso à informação, apesar da muita contaminação visível e invisível.

Nessa velocidade pela busca de novos materiais de consumo, a televisão está com dificuldades em acompanhar o potencial da Internet. Mesmo com os novos serviços da televisão por cabo, são cada vez mais as pessoas que optam por desligar a TV, mais ainda nos grupos sociais mais jovens e tecnologicamente mais susceptíveis.

Por outro lado, as televisões estão também cheias de redundâncias. A TV parece estar a lutar pela sobrevivência enquanto toca no bizarro e no redundante ao mesmo tempo. Isso nota-se muito vincadamente em determinados canais pagos. Ainda sou do tempo em que a Mtv passava música. Também parece ser agora raro haver canais de documentários que passavam mesmo documentários. O exemplo paradigmático disto é o Canal de História que, entre leilões, velharias, "reality shows" de coisas estranhas e redundantes, e o tema “extraterrestres” aplicado a tudo, pouco ou nada mostra de história.

Qual será a razão de ser disto? Porque optam estes canais por fugir aos conteúdos que lhes deviam ser próprios e a desconsiderar o seu público natural? Será mais sustentável continuar a funcionar optando por conteúdos generalistas de baixo custo e rápido consumo enquanto os espectadores fogem e vão desligando as TVs?

Mas nem todos os espectadores podem e sabem onde e como procurar conteúdos mais temáticos e especializados, sendo que a possibilidade de clicar num botão para garantir isso era quase um serviço público que esses canais prestavam.

Será este o último suspiro da televisão enquanto não é definitivamente engolida pela Internet e novas formas híbridas de consumo e entretenimento audiovisual caseira?

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