Marine Le Pen investigada por publicar imagens de decapitações do EI

Líder do partido de extrema-direita francês usou imagens de choque para responder a um jornalista.

Le Pen diz que "não sabia" que uma das imagens que publicou era do refém americano James Folet
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Le Pen diz que "não sabia" que uma das imagens que publicou era do refém americano James Foley FRANCOIS_LO_PRESTI/AFP

A dirigente da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, vai ser alvo de uma investigação judicial depois de ter publicado na sua conta Twitter imagens de execuções feitas pelo grupo Estado Islâmico (EI), também conhecido com Daesh, em resposta a um jornalista que ela acusa de ter feito um “paralelo” entre o seu partido e o EI.

A procuradoria de Nanterre, perto do Paris, anunciou ter aberto esta investigação por “difusão de imagens violentas”, depois de o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, ter denunciado as fotos à direcção da Polícia Judiciária.

Le Pen publicou três imagens de execuções do EI com o texto “Daesh é isto!” como resposta às declarações de Jean-Jacques Bourdin na rádio RMC, ao entrevistar o politólogo e especialista do islão Gilles Kepel sobre o seu novo livro, Terreur dans l’Hexagone, sobre as origens e a evolução do jihadismo francês.

Numa das perguntas, o entrevistador pergunta ao especialista: “O senhor faz uma ligação entre o jihadismo francês e o crescimento da Frente Nacional [o partido de Marine Le Pen].” Gilles Kepel tenta dar maior precisão à questão do jornalista: “Bom, não são a mesma coisa, mas são dois fenómenos que participam um pouco da mesma congruência, assemelham-se.”

Marine Le Pen, que faz da intolerância à imigração muçulmana o cerne da sua campanha e que beneficiou eleitoralmente com os atentados de 13 de Novembro em Paris, reivindicados pelo Estado Islâmico, sentiu isto como uma afronta. Considerou “inaceitáveis” estas palavras e respondeu divulgando imagens de execuções publicadas pelo Daesh.

Uma das fotos é da execução de um piloto jordano queimado vivo no início do ano pelos jihadistas. Outra mostrava o corpo decapitado do jornalista americano James Foley, executado em Agosto de 2014.

Os pais de James Foley indignaram-se com a publicação da imagem do corpo do filho e exigiram a Le Pen que retirasse imediatamente a foto da sua conta de Twitter – o que a líder da extrema-direita fez, alegando que “não sabia” que se tratava do refém norte-americano.

“Estamos profundamente chocados por terem utilizado Jim para o benefício político de Le Pen e esperamos que a foto do nosso filho, bem como as duas outras imagens explícitas sejam retiradas imediatamente”, escreveram John e Diane Foley num comunicado.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, acusou Le Pen de ser “uma incendiária do debate público”. Para o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, as fotos publicadas por Le Pen são “propaganda do Daesh” e “uma abjecção, uma abominação e um insulto para todas as vítimas do terrorismo e para todos aqueles que tombaram debaixo do fogo e da barbárie do Daesh”.

Mas a líder de extrema-direita mantém-se desafiadora: “O sr. Cazeneuve vai-me pôr as algemas? Como de costume, prefere-se condenar os que condenam em vez daqueles que cometem [os crimes].”