Presidente da Fosun reaparece ao fim de quatro dias e anuncia foco na China

Guo Guangchang foi recebido com aplausos dos trabalhadores depois de “auxiliado” as autoridades judiciais em “certas investigações”.

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O presidente da Fosun não fez qualquer alusão ao seu desaparecimento. REUTERS/Stringer

Incontactável desde quinta-feira, o presidente da Fosun, Guo Guangchang, reapareceu ao quarto dia num encontro anual do grupo em Xangai, nesta segunda-feira.

O presidente da dona da Fidelidade e da Luz Saúde (ex-Espírito Santo Saúde) não só marcou presença como discursou, revelando que o futuro do grupo chinês passará por uma maior aposta no mercado interno.

Sem, de acordo com o South China Morning Post (SCMP), referir uma única vez o seu desaparecimento, Guo Guangchang afirmou que, "apesar dos investimentos em todo o mundo, o crescimento do Fosun está enraizado na China" e que "a estrutura futura do grupo deve ser capaz de demonstrar as vantagens em estar enraizada” naquele país.

Antes, ao entrar na sala, uma fonte do Financial Times conta que o multimilionário foi aplaudido durante um longo período pelos trabalhadores da Fosun.  

Na sexta-feira, a direcção da Fosun emitiu um comunicado em que dava conta de que Guo Guangchang se encontrava "a auxiliar certas investigações levadas a cabo pelas autoridades judiciais chinesas", sem avançar a natureza ou o alvo da operação.

A inesperada ausência de Guo Guangchang levou à suspensão da negociação dos títulos da Fosun nas principais praças chinesas na passada sexta-feira, o que acabou por fazer com que as acções sofressem perdas significativas na sessão desta segunda-feira. Em Hong Kong, o conglomerado chinês viu a sua cotação derrapar 9,45%, enquanto a Fosun Pharmaceutical perdeu 3,77% na bolsa de Xangai.

Primeiro através de um comunicado emitido na sexta-feira, depois através de uma teleconferência do executivo Liang Xinjun no domingo, a Fosun tentou tranquilizar os investidores.

Na primeira comunicação foi garantido que Guo Guangchang se encontrava a “auxiliar certas investigações”, não estando privado de nenhum dos seus poderes. Na segunda, o executivo assegurou que estava em contacto com credores e agências de rating e que os negócios prosseguem com normalidade, refere o SCMP.

Na informação aos investidores, Liang Xinjun acrescentou que a investigação das autoridades estava “mais relacionada com assuntos pessoais” do que com o negócio da Fosun, na tentativa de reduzir a especulação em torno deste assunto.

Ainda assim, não esclareceu se os movimentos do presidente do grupo estão a ser restringidos ou se se mantém sob vigilância.

Pequim também ainda não tornou públicos os contornos que envolvem o desaparecimento temporário de Guo, mas em Agosto um tribunal envolveu o seu nome num caso de corrupção que sentenciou outro magnata a 18 anos de prisão.