Crónica de jogo

Benfica foi o primeiro visitante a vencer no Bonfim

O Vitória de Setúbal perdeu por 2-4 com os "encarnados", que somam o quinto triunfo seguido na Liga.

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Coube ao Benfica ser o primeiro dos candidatos ao título a entrar em acção na 13.ª jornada e os “encarnados” superaram com mais ou menos dificuldade o teste em Setúbal, impondo a primeira derrota caseira ao Vitória (2-4). A equipa de Rui Vitória fez dois golos no primeiro tempo e chegou ao terceiro no início da segunda parte, mas, em vez de gerir tranquilamente a vantagem, passou por alguns calafrios desnecessários. O Benfica desperdiçou oportunidades e os sadinos nunca deixaram de acreditar, mas os três pontos viajaram mesmo para Lisboa.

A atravessar a melhor fase no campeonato, agora com cinco vitórias consecutivas, os “encarnados” foram de menos a mais na partida do Bonfim. No início da primeira parte, o Benfica não teve o antídoto para contrariar a pressão enérgica dos sadinos. Só que a chama do V. Setúbal não demorou a extinguir-se e a equipa de Quim Machado deixou de conseguir chegar à área adversária. Paulatinamente, os visitantes foram tomando conta dos acontecimentos até chegarem aos golos. Depois, no segundo tempo, e apesar das facilidades que a defesa da casa concedeu em alguns momentos, o Benfica demorou a sentir-se tranquilo — mesmo com três golos de vantagem.

Sem poder contar com Gaitán, Rui Vitória fez duas mudanças em relação ao jogo da última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, frente ao Atlético de Madrid: Mitroglou ocupou a vaga do argentino, entrando para fazer dupla na frente com Jonas (Gonçalo Guedes e Pizzi ocuparam as faixas laterais do ataque) e Samaris regressou à titularidade no meio-campo. Já o V. Setúbal repetiu a equipa que na jornada anterior foi ao Restelo vencer o Belenenses por 0-3.

Reflexo ou não da ausência de Gaitán, o Benfica começou por sentir dificuldades em criar jogo atacante. O V. Setúbal pressionava muito subido no terreno e com intensidade, com Ruca e Arnold a serem autênticas flechas nas faixas do ataque. Os “encarnados” não conseguiam conservar a posse de bola e o saldo dos primeiros 15 minutos foi pobre: um remate de Mitroglou e outro de Jonas, que não criaram sobressaltos de maior ao guarda-redes Ricardo.

Mas o vento estava a mudar no Bonfim. Os sadinos perderam fulgor e a persistência “encarnada” deu frutos aos 35’, quando Pizzi inaugurou o marcador. O português recebeu a bola de André Almeida, tirou Fábio Pacheco da frente e atirou à baliza. Ricardo ainda tocou a bola, mas esta passou-lhe por baixo e entrou lentamente na baliza. A segunda estocada dos “encarnados” veio logo a seguir: André Almeida voltou a estar na jogada, com o cruzamento para Jonas. O brasileiro, sem oposição no centro da área, nem teve de saltar para cabecear — na verdade, até se baixou.
A abrir o segundo tempo, Jonas e Mitroglou perdoaram a infantilidade da defesa sadina, com Rúben Semedo e Frederico Venâncio a facilitarem para além do razoável. Mas, na oportunidade seguinte, o grego, lançado por Jonas, inscreveu o nome na lista de marcadores.

A vantagem era confortável, só que o Benfica não se tranquilizou com ela. Vasco Costa fez o 1-3 para o V. Setúbal, na recarga a um remate de Suk que ainda bateu no poste, e os “encarnados” tremeram. Mas a reacção dos sadinos ficou-se mais no plano das intenções do que no das acções. E, apesar de ter quebrado a série de quatro jogos do Benfica sem sofrer golos, a equipa de Quim Machado foi penalizada pelos próprios erros no sector mais recuado. Algo que o quarto golo dos “encarnados” ilustra bem: o ataque rápido foi conduzido por Djuricic, com Gonçalo Guedes a rematar contra um defesa e Mitroglou a atirar ao poste da baliza do Vitória. A bola bateu depois no corpo de Ricardo e entrou na baliza.

Era a primeira derrota caseira do V. Setúbal, que ainda chegaria ao 2-4 nos instantes finais, por Suk. O Benfica segue na perseguição aos rivais e volta a jogar na terça-feira, com o União da Madeira, numa partida em atraso da sétima jornada do campeonato.

PÚBLICO -
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