Centenas de pegadas de dinossauros encontradas em ilha escocesa

Trilhos feitos há mais de 170 milhões de anos.

Fotogaleria
Ilustração de saurópodes a deixar as suas marcas no terreno Jon Hoad
Fotogaleria
Trilho na ilha de Skye, na Escócia Steve Brusatte

Numa plataforma rochosa a projectar-se sobre o Atlântico na ilha escocesa de Skye, centenas de pegadas de dinossauros recém-descobertas estão a mudar a forma como os cientistas olham para o estilo de vida de algumas das maiores criaturas que alguma vez pisaram a Terra. Esta vasta colecção de pegadas do período Jurássico – algumas com 70 centímetros de diâmetro – tem como autores dinossauros saurópodes que, há 170 milhões de anos, atravessaram as águas salobras de uma lagoa pouco profunda.

“Havia claramente muitos saurópodes a movimentarem-se de um lado para o outro nesta lagoa. Estavam em casa e aí prosperavam. Olhando para o emaranhado caótico dos trilhos, parece uma pista de dança, como se tivesse sido uma discoteca de dinossauros”, diz o paleontólogo Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Os saurópodes eram dinossauros quadrúpedes herbívoros com pescoços compridos, caudas longas, patas como colunas e corpos enormes. No grupo dos saurópodes incluem-se os maiores animais terrestres de sempre. Não se sabe qual foi a espécie responsável pelos trilhos na ilha de Skye, mas Steve Brusatte, principal autor do estudo destas pegadas, publicado na revista científica escocesa Journal of Geology, estima que esses dinossauros teriam 15 metros de comprimento e mais de dez toneladas.

Os saurópodes da ilha de Skye eram relativamente primitivos, talvez “primos ou antepassados antigos de saurópodes famosos como o Diplodocus e o Brontosaurus”, adianta o paleontólogo. Os Diplodocus podiam chegar aos 40 metros de comprimento. Há muitas décadas, acrescenta ainda Steve Brusatte, os cientistas pensavam que os saurópodes viviam em pântanos, porque colossos como esses nunca poderiam suportar o seu peso em terra firme. Mas esta ideia foi descartada na década de 1970: a estrutura dos seus esqueletos mostrava que estavam bem adaptados à vida em terra.

Estas pegadas fossilizadas, bem como outras descobertas recentes, mostram que estes dinossauros passavam pelo menos algum tempo dentro da água, refere Steve Brusatte. Estes saurópodes não eram nadadores nem viviam apenas na água: provavelmente estavam sobretudo em terra, mas, ainda assim, passavam um tempo considerável na água. “Talvez estas lagoas fossem uma fonte imediata de comida ou oferecessem protecção contra predadores. Independentemente da resposta, esta e outras descobertas recentes inspiram-nos a voltarmos a imaginar o estilo de vida das mais incríveis criaturas antigas.”

Conhecem-se poucos fósseis desta altura, o Jurássico Médio, sublinha Tom Challands, outro paleontólogo da Universidade de Edimburgo. O sítio tem pelo menos três camadas de arenitos e de calcários com os trilhos, demonstrando que os saurópodes floresciam em ambientes lagunares ao longo de múltiplas gerações. Na principal camada, que mede 15 por 25 metros, há numerosas pistas a cruzarem-se umas com as outras.

Em Portugal, há pegadas de dinossauros bem conhecidas: na Jazida da Pedreira do Galinha, nos concelhos de Ourém e Torres Novas, em pleno Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros, encontra-se uma das pistas mais longas do mundo de saurópodes, com 175 milhões de anos. Descobertas em 1994, numa laje de calcário encontram-se pelo menos 20 pistas de dinossauros, algumas com 140 a 150 metros de comprimento.