Editorial

Uma nova e ténue luz na cimeira do clima

O tempo é escasso para o muito que falta fazer, até porque ainda há 800 pontos de divergência na versão preliminar do acordo até à próxima sexta-feira, mas surgiu ontem na cimeira do clima uma proposta que traz uma nova (ainda que ténue) luz ao debate: o Brasil e a União Europeia sugeriram, num documento conjunto, a introdução de um mecanismo de mercado para facilitar o cumprimento das metas climáticas, mecanismo muito semelhante ao desenvolvimento limpo do Protocolo de Quioto (em vigor desde Fevereiro de 2005). Ou seja, um país pode ganhar créditos de emissões de CO2 se investir em projectos limpos fora das suas fronteiras, fomentando o desenvolvimento sustentável do país onde tais projectos forem instalados. Embora a proposta não seja consensual no seu todo entre os proponentes, pode ajudar a estabelecer critérios que favoreçam o acordo final. Até lá, será necessário um esforço titânico para não falhar.