Há 800 dúvidas por resolver na cimeira do clima em Paris

Ministros têm pouco tempo para resolver divergências sobre novo acordo climático.

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As negociações foram divididas na segunda-feira em vários grupos STEPHANE MAHE/Reuters

Os ministros reunidos na cimeira do clima em Paris têm pouco mais de um dia para retirar cerca de 800 parêntesis rectos – que representam divergências – do texto do novo acordo para conter o aquecimento global.

As negociações prosseguem esta terça-feira e, de acordo com calendário, a presidência francesa da cimeira quer ter o texto pronto na quarta-feira, para ser traduzido e submetido à discussão final e votação nos dois dias seguintes.

O plano original é ambicioso, dada a experiência destas reuniões anuais das Nações Unidas sobre o clima. Normalmente não cumprem o calendário e os pontos mais importantes só são decididos à última hora, provavelmente depois de uma noitada de negociações, ultrapassando o término previsto.

O acordo de Paris, se for aprovado, entrará em vigor em 2020. Será um passo internacional colectivo para tentar conter a subida do termómetro global a níveis suportáveis para a humanidade. O limite até agora acordado é 2oC até ao final do século, mas os países mais vulneráveis querem que no acordo seja referida, de alguma forma, uma meta de 1,5oC. A questão está ainda em aberto.

A versão preliminar do acordo que está em discussão tem 48 páginas e está repleta de excertos de texto entre parêntesis rectos, que significam posições não consensuais sugeridas por países ou grupos de países. 

As negociações foram divididas na segunda-feira em vários grupos, para os temas centrais onde há mais divergências. Inicialmente eram quatro: apoios financeiros, capacitação e transferência de tecnologia; diferenciação entre países ricos e pobres; metas de longo prazo e revisão dos compromissos dos países; e o que fazer antes de 2020.

Mas outros grupos acabaram por ser criados, em particular um para a adaptação e a questão das “perdas e danos”, um tema que os países mais vulneráveis querem ver na agenda.

Ao longo desta terça-feira são esperadas reuniões à porta fechada entre estes diversos grupos e a discussão dos seus resultados em plenários com todos os países, naquilo a que ficou designado como Comité de Paris.

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