Paris, refugiados e um vestido lideraram no Twitter em 2015

Rede de microblogging lança lista das hashtags mais influentes deste ano. Charlie Hebdo, Plutão e Ahmed Mohammed também entraram.

Ainda faltam alguns dias para terminar 2015, mas o Twitter já vez as contas e análises de como decorreu este ano na rede de microblogging e estabaleceu uma lista do que mais influência teve e mais tweets gerou. Os ataques ao Charlie Hebdo e a Paris, os refugiados, o casamento homossexual nos EUA ou o vestido que preto para uns e branco para outros lideraram os tópicos das frases de 140 caracteres.

Os atentados em Paris a 13 de Novembro agitaram o Twitter durante dias. A hashtag #PrayForParis foi usada para partilhar os sentimentos e críticas pelos que morreram e ficaram feridos mas também pelos que comentaram aquele que foi um dos piores ataques da última década na Europa. Perto de 130 pessoas morreram às mãos de extremistas em vários locais na capital francesa, dez meses depois do semanário satírico Charlie Hebdo ter também sido alvo de homens fundamentalistas muçulmanos armados, a 7 de Janeiro. Doze pessoas morreram.

#JeSuisCharlie (eu sou Charlie) foi a frase que se multiplicou nas redes sociais e o Twitter não foi excepção, com milhares de tweets a serem publicados sob a hashtag uns pela liberdade de expressão outros pela defesa do respeito pela religião islâmica. “Fizemos o nosso trabalho. Defendemos o direito à caricatura”, afirmou em Julho último o director da publicação francesa, Laurent Sourisseau. “É estranho, espera-se que exerçamos uma liberdade de expressão que mais ninguém se atreve a exercer."

Além destas duas hashtags outra surgiu para assinalar a solidariedade para com os franceses e Paris, onde os dois ataques ocorreram. #PortOuverte (porta aberta), foi usada para ajudar os que precisaram de abrigo na cidade após os atentados de Novembro.

Segue-se a hashtag #BlackLivesMatter (as vidas dos negros importam), que se tornou um dos movimentos sociais mais influentes deste ano. Começou como uma hashtag no Twitter para se tornar o lema de manifestações que se repetiram pelos Estados Unidos em nome da igualdade racial. Segundo a rede social, a hashtag ou frase foi incluída num tweet 9 milhões de vezes, depois de ter servido para unificar os incidentes que se passaram em #Ferguson, #Charleston e #Baltimore, onde cidadãos negros foram agredidos ou mortos pela polícia em casos que levaram à realização de protestos, alguns violentos, contra o racismo atribuído às autoridades.

No Facebook, por exemplo, as fotografias de perfil de muitos foram sobrepostas por arco-íris, símbolo da comunidade gay, mas no Twitter foram #HomeToVote e #LoveWins (o amor vence) que simbolizaram a legalização nos Estados Unidos e na Irlanda do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A hashtag #HomeToVote foi utilizada pelos que regressaram a casa para votar no referendo sobre o casamento homossexual, a 21 de Maio. A #LoveWins celebrou a decisão do Supremo Tribunal norte-americano de legalizar, a 26 de Junho, o casamento gay nos Estados Unidos.

#RefugeesWelcome (bem-vindos refugiados) foi uma das hashtags mais influentes em 2015. Criada para assinalar a vinda de várias dezenas de milhares de pessoas da região do Médio Oriente e África para a Europa, em busca de refúgio, foi usada para publicar tweets de apoio aos refugiados por organizações de defesa dos direitos humanos e cidadãos que se juntaram para angariar bens e alimentos para ajudar os que chegavam ao território europeu e para apelar aos países europeus que abrissem as suas fronteiras.

Ahmed Mohammed, o rapaz de 14 anos que foi detido na sua escola no Texas, nos Estados Unidos, por ter criado um relógio digital em casa e o ter levado para as aulas, entrou no top do Twitter através da hashtag #IStandWithAhmed (eu apoio Ahmed). Uma fotografia do jovem algemado pelas autoridades depois de se ter suspeitado de tinha criado uma bomba, tornou-se viral. Segundo o Twitter, menos de seis horas depois do incidente, a hashtag foi criada e levou à publicação de mais de 370 mil tweets, com reacções de apoio do próprio Presidente Barack Obama.

As eleições na Argentina, Canadá, Singapura, Índia e Reino Unido lideraram também entre tweets, com eleitores a trocarem opiniões e a iniciar discussões sobre o futuro político dos seus países.

Houve ainda lugar para o futebol no feminino. Em #FIFAWWC, foram trocados tweets entre os que seguiram os jogos do Campeonato do Mundo no Canadá, em Junho, com tweets apenas com a palavra “golo” ou com observações sobre a performance das jogadoras. “Os tweets sobre #FIFAWWC foram vistos nove mil milhões de vezes entre 6 de Junho e 5 de Julho, tornando o campeonato um dos maiores eventos desportivos do ano”, escreve a rede social.

A fotografia mais nítida de sempre do planeta Plutão suscitou a curiosidade de milhares a 14 de Julho e levou a que #PlutoFlyby se destacasse em 2015. Mais de um milhão de tweets foram criados nesse dia depois de conhecidas as imagens captadas pela sonda New Horizons da NASA.

Em Fevereiro, um simples vestido às riscas provocou uma acessa discussão sobre cores. Tudo porque uns o viam de cor preta e azul e outros branco e dourado. Houve explicações de cientistas e médicos que afirmaram tratar-se de problemas na retina dos que viam uma dada combinação de cores e não a outra e outros que defenderam que se deve à forma como o nosso cérebro processa a informação visual que vem dos olhos. É nesta segunda opção que reside a explicação do fenómeno. #BlueandBlack ou #WhiteandGold tornaram-se virais e os 4,4 milhões de tweets publicados mostram-no.

O Twitter fecha o top dos mais influentes com Caitlyn Jenner, o transsexual norte-americano cuja conta na rede se tornou a mais rápida (apenas em quatro horas) a atingir um milhão de seguidores, em Junho, batendo a própria conta do Presidente dos Estados Unidos @POTUS.