Torne-se perito

ISCTE quer construir dois hotéis e apostar no ensino do turismo

O projecto, a desenvolver no terreno onde está a sede do IMT, na Av. das Forças Armadas, contempla três novos edifícios.

Dados dos candidatos a bolsas e das suas famílias estiveram disponíveis
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Dados dos candidatos a bolsas e das suas famílias estiveram disponíveis Foto: Enric Vives-Rubio

O ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa quer construir três edifícios, entre os quais dois hotéis, num terreno de que é proprietário na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa. No local está hoje instalada a sede do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Esta quarta-feira a Câmara de Lisboa discute o Pedido de Informação Prévia para esta operação urbanística, pedido que foi apresentado pelo instituto universitário em Setembro de 2014. De acordo com a proposta do vereador do Urbanismo, o projecto em apreciação insere-se “numa estratégia que visa rentabilizar um conjunto de funções que se pretendem recíprocas - Formação/Estágio/Serviço - a desenvolver no percurso académico dos alunos do ISCTE”.

Aquilo que está projectado é a construção de três edifícios, numa parcela de terreno “contígua ao campus universitário”, na Av. das Forças Armadas. Um dos edifícios, com três pisos, será destinado a “investigação e formação”, adiantando-se que será “equipado com laboratórios e cozinhas de topo, de forma a permitir uma formação de nível mundial na área”.

Nos outros dois edifícios, um com três pisos e outro com sete, surgirão duas unidades hoteleiras, que “funcionarão como unidades de aplicação da escola, que se pretende que tenha um ensino iminentemente aplicado, a par de um centro de investigação internacional na área”. Um desses estabelecimentos terá três estrelas e 130 camas (sendo referido nalguns elementos do processo camarário como hotel/residência de estudantes) e o outro terá cinco estrelas e 208 camas.  

No terreno onde o ISCTE pretende concretizar este projecto está hoje instalada a sede do IMT. Questionado sobre quando está prevista a sua saída do local e para onde serão transferidos os serviços e os funcionários que aí trabalham, este organismo público informou que o contrato de arrendamento que celebrou com o instituto universitário para a ocupação do espaço “termina em Junho de 2020”.

“Mais se esclarece que o procedimento relativo à procura de novas instalações já teve início, através de várias empresas imobiliárias”, acrescenta-se em respostas escritas enviadas ao PÚBLICO. O IMT, que foi criado no final de 2012 na dependência do Ministério da Economia e do Emprego, tem também instalações na Avenida Elias Garcia, onde de acordo com informações disponíveis no seu site funciona a Direcção Regional de Mobilidade e Transportes de Lisboa e Vale do Tejo.

Já o ISCTE recusou para já “divulgar pormenores” sobre o projecto, alegando que ele “não está ainda aprovado” pela Câmara de Lisboa. Ainda assim, o coordenador do Gabinete de Comunicação e Multimédia fez saber que “após a aprovação, será lançado um concurso público internacional para a obra de construção dos edifícios”.
No seu Plano Estratégico para o período entre 2014 e 2017 o instituto universitário aponta o turismo como uma das áreas (juntamente com “os serviços de saúde e os recursos do mar ou a economia dos recursos naturais e da sustentabilidade”) em que se afigura possível “explorar diversas oportunidades de desenvolvimento”.

“O ISCTE - IUL pode posicionar-se como um dos grandes centros de formação Hospitality do país, fornecedor de recursos humanos qualificados, não só para a região de Lisboa, mas também para a região Centro, o Alentejo e o Algarve, bem como para outros países”, diz-se no documento, no qual se sublinha que “o sector do turismo é o mais importante da economia portuguesa”.

Opinião: Universidade, hotéis e cozinhas de topo

Alguns aspectos deste Pedido de Informação Prévia levantaram dúvidas aos técnicos camarários que o analisaram. Isso mesmo está patente num parecer da Divisão de Controlo de Intervenções em Espaço Público, no qual se diz por exemplo que deve ser assegurada a “manutenção/criação de lugares de estacionamento” para responder à supressão prevista de dez lugares na Rua Helena Félix, através da qual se fará o acesso viário ao interior da parcela que vai ser intervencionada.   

Nesse parecer manifesta-se também oposição à proposta de retirada do abrigo de transportes colectivos que existe na Av. das Forças Armadas, considerando-se ainda que não é “justificada” a proposta de “abate das árvores existentes no passeio norte da avenida”. Num outro parecer, do Departamento de Gestão de Mobilidade e Tráfego, destaca-se relativamente a vários aspectos a necessidade de se promover a acessibilidade pedonal.   

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