Um santuário geek que se instalou em Matosinhos

Segundo dia da Comic Con Portugal reuniu milhares de pessoas em torno de figuras conhecidas do cinema, televisão e banda desenhada. Encontro termina este domingo.

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Paulo Pimenta
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Ainda pouco passava das 10h e já milhares de jovens (e também adultos) se agrupavam junto da entrada da Exponor, em Matosinhos, que durante este fim-de-semana se transforma numa espécie de santuário da cultura pop norte-americana. Trata-se da Comic Con Portugal, que reúne cinema, televisão, BD, videojogos e cosplay (representação de personagens). O cosplay é, aliás, um dos pontos fortes deste encontro. Neste sábado, entre as milhares de pessoas que circularam nos vários pavilhões da Exponor (depois de longas horas de espera para poderem entrar), era difícil não reparar nas indumentárias cuidadosamente pensadas e concebidas para a ocasião, desde personagens da saga Star Wars até conhecidas figuras de anime (estilo de animação maioritariamente produzido no Japão).

“A nossa missão é transformar tudo o que envolve a cultura pop com uma identidade própria no nosso país. Estamos sempre a tentar criar novas abordagens para a banda desenhada, para os videojogos, para a literatura, para a televisão, (…) mas o objectivo máximo é que todas estas indústrias sejam reconhecidas e cada vez mais exploradas pelo universo português”, explicou o director Paulo Cardoso, citado pela Lusa. 

A quilométrica fila para entrar na Exponor não se compunha apenas de fãs portugueses, mas também espanhóis, franceses ou ingleses. Dos muitos portugueses que participaram nesta segunda edição do Comic Con Portugal, há quem tenha vindo um pouco de todo o lado, inclusive das ilhas. Mariana Guerreiro veio propositadamente do sul do país (Quarteira) para os três dias deste evento com o intuito de ver ao vivo os actores da sua série televisiva favorita, Teen Wolf. Apesar do entusiasmo evidente nas suas palavras, Mariana lamenta o facto de, entre os vários actores convidados, não estarem presentes os que mais gosta. Veio acompanhada da irmã mais velha, Joana Guerreiro, que, ao contrário de Mariana, também esteve presente na edição anterior, e que salienta a maior afluência na edição deste ano. A banda desenhada é, para Joana, uma das áreas que “melhorou consideravelmente, em relação ao ano passado”, assim como a quantidade e qualidade de expositores e bancas. Contundo não esconde o seu desagrado em relação à programação de cinema e televisão, que considera “bastante menos interessante do que na edição de 2014, sobretudo porque não trouxeram [organização do Comic Con Portugal] actores principais”, explicou ao PÚBLICO.

 No campo do cinema, são várias as personalidades que estarão presentes. Jason Momoa (Game of Thrones) era um dos nomes mais aguardados pelos fãs, mas devido a conflitos com a sua agenda de filmagens, viu-se obrigado a cancelar. Prometeu no entanto uma visita a Portugal muito em breve. John Noble, reconhecido actor que interpreta a personagem Dr. Walter Bishop na série televisiva Fringe, foi uma das figuras que marcou o segundo dia deste evento, lotando um dos auditórios da Exponor. Durante uma hora, Noble respondeu às inúmeras perguntas dos fãs e não resistiu a demonstrar o seu carinho pela cidade do Porto, uma das mais bonitas da Europa, segundo o actor australiano. Na manhã deste sábado, em Matosinhos, esteve também o actor e produtor Lloyd Kaufman, um dos fundadores da produtora trash Troma Entertainment.

Ainda durante a manhã, a editora de banda desenhada KingPin Books apresentou algum do seu mais recente trabalho, numa conversa onde os fãs puderam ouvir alguns dos autores ligados à editora portuguesa. Pela Exponor, passaram também nomes relevantes do panorama internacional da BD, entre os quais Brian Azzarello (autor de 100 Bullets, da editora Vertigo, que tem chancela da DC) e o autor espanhol Díaz Canalez, co-autor da aclamada série Blacksad.

Mário Freitas, fundador e responsável da KingPin Books, diz que o panorama nacional da banda desenhada está num bom momento e destaca a qualidade dos autores portugueses, que “cada vez mais são requisitados para trabalhar no estrangeiro”, disse ao PÚBLICO. Mário Freitas salienta ainda que existe a preocupação de apresentar edições cuidadas, “com boa impressão, com bom papel, porque é uma mais-valia e uma forma de diferenciação”. Na sessão com os fãs, o responsável da editora portuguesa contou que esteve recentemente em Inglaterra, onde recebeu uma reacção bastante positiva em relação às edições e autores portugueses.

A Comic Con termina este domingo, numa segunda edição marcada pela forte afluência de público. O último dia do encontro conta, entre muitos outros, com Holland Roden, Ryan Kelley e Eaddy Mays (Teen Wolf) e duas das actrizes de American Pie, Shannon Elizabeth e Tara Reid.

Texto editado por Sérgio B. Gomes