Três pessoas mortas após tiroteiro em clínica que faz abortos nos EUA

Homem entrou numa clínica da organização Planned Parenthood no Colorado e começou a disparar. Situação só ficou resolvida ao fim de cinco horas, com a rendição do atirador.

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O suspeito, Robert Lewis Dear Polícia de COLORADO SPRINGS/AFP
Homem algemado depois dos disparos na clínica de aborto
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Homem algemado depois dos disparos na clínica Isaiah J. Downing/Reuters

Um tiroteio numa clínica da organização Planned Parenthood na cidade de Colorado Springs, nos Estados Unidos, fez três mortos e feriu outras nove pessoas.

A chamada de urgência foi feita por volta das 11h30 de sexta-feira (18h30 em Portugal continental) depois de um homem ter entrado na clínica, que disponibiliza serviços relacionados com a saúde reprodutiva das mulheres, incluindo abortos.

O atirador, identificado como Robert Lewis Dear, de 57 anos, rendeu-se cinco horas depois da primeira chamada para o número de emergência. Os nove feridos estão em condição considerada estável em hospitais naquela área, de acordo com o chefe da polícia local, Peter Carey.

Os polícias demoraram mais tempo para tornar o edifício seguro porque o suspeito levou para a clínica "algumas malas" e deixou outras às portas do edifício. Todas tiveram de ser revistas para se verificar se continham explosivos. 

Um fotojornalista da agência Reuters, que testemunhou a cena, viu um homem com uma t-shirt branca algemado a ser transferido de um veículo blindado da polícia – usado para entrar no edifício – para um carro da polícia descaracterizado.

Uma das vítimas mortais é um agente identificado como Garrett Swasey, de 44 anos – trabalhava no campus da Universidade do Colorado e juntou-se à polícia da cidade na resposta ao tiroteio.

A polícia não revelou a motivação do atirador, mas Vicki Cowart, presidente do grupo Rocky Mountains Planned Parenthood, responsável por quatro clínicas incluindo a de Colorado Springs, defendeu que nos Estados Unidos está a crescer um clima de terror em torno do tema do aborto, fomentando este tipo de violência. "Partilhamos a mesma preocupação de muitos americanos de que os extremistas estão a criar um ambiente venenoso que alimenta o terrorismo doméstico neste país", disse a responsável.

A clínica de Colorado Springs já foi alvo de vários protestos de activistas contra o aborto. De acordo com a Federação Nacional de Aborto, pelo menos oito trabalhadores de clínicas de aborto foram mortos desde 1977.