Cavaco recusa combater terrorismo com "fortes ou muros", mas sim com cooperação

O Presidente da República relembra “espaço de liberdade, segurança e justiça” que deveria ser sempre defendido no interior da União Europeia.

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Cavaco Silva discursou na cerimónia de inauguração das obras de reabilitação do Forte da Graça, em Elvas, com um custo estimado de 6,1 milhões de euros Enric Vives-Rubio

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou esta sexta-feira que o combate ao terrorismo "não passa pela construção de fortes ou de muros", mas por uma "acção concertada" com cooperação nos domínios da defesa, segurança e justiça.

"A resposta a essas novas ameaças, como o terrorismo transnacional, não passa já pela construção de fortes imponentes ou de muros. Passa pela acção concertada, pelo reforço da cooperação nos domínios da defesa, da segurança e da justiça", disse o Chefe de Estado, durante o discurso da cerimónia de inauguração das obras de reabilitação do Forte da Graça, em Elvas.

Uma colaboração, continuou, "tendo em vista o objectivo comum de uma sociedade tolerante e humanista, onde cada um possa viver em segurança e respeito mútuo".

Para Cavaco Silva, estes valores, que são o "timbre" do projecto europeu, "não podem ser colocados em causa", defendendo, por isso, que devem ser "sublinhados e proclamados" pelo conjunto das nações europeias, cientes de que a "união as faz mais fortes".

"Num tempo em que, face à pressão de fluxos migratórios e perante as novas ameaças, voltamos a ouvir falar de fronteiras, devemos recordar a conquista que representou o estabelecimento de um 'espaço de liberdade, segurança e justiça' no interior da União Europeia", disse.

O Presidente da República sublinhou ainda que a liberdade de circulação de pessoas estabelecida no Acordo de Schengen, ao qual Portugal aderiu em 1991, é "estruturante" para o projecto europeu.

"Devemos ser firmes na sua defesa. Faz hoje parte do modo de vida no interior da União Europeia, pontuando uma era de paz e de melhoria das condições de vida sem precedentes na história do nosso continente", disse.

Forte da Graça recuperado
As obras de reabilitação do Forte da Graça representam um investimento de 6,1 milhões de euros. O emblemático forte, que espera receber 100 mil visitantes, durante o próximo ano, é composto por um conjunto de fortificações abaluartadas, classificadas como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Para Cavaco Silva, a recuperação daquele espaço vai dar a conhecer ao público um "notável exemplo" da arquitectura militar europeia, considerando ainda que aquele espaço é um dos "mais emblemáticos" do conjunto de fortificações de Elvas que foram inscritas pela UNESCO.

"Na verdade, a intervenção de conservação e restauro, entretanto realizada no Forte da Graça, não só restituiu ao edifício a imponência e a monumentalidade da sua traça original, como ainda respeitou plenamente o prazo e os orçamentos previstos", declarou.

A realização das obras surgiu na sequência da transferência, em 2014, de cerca de 30 prédios militares, situados na cidade raiana de Elvas, no distrito de Portalegre, do Estado para o município, sendo o Forte da Graça um dos mais emblemáticos.

O protocolo com o Estado estipulou a recuperação e reutilização deste monumento nacional que se encontrava degradado, sendo a cedência por um período de 40 anos e, eventualmente, renovável por outros períodos até perfazer o total de 75 anos.

No espaço, a Câmara de Elvas pretende instalar um Centro Interpretativo do Forte da Graça, bem como outras infraestruturas relacionadas com serviços educativos e com a área do património.

Durante a intervenção, foram ainda repostas todas as cores originais do forte e recuperadas as estruturas, como a cisterna, a prisão, as galerias de tiro e a capela, onde foram descobertos frescos do século XIX, também alvo de intervenção.