Viviane assinala dez anos de carreira com uma colectânea com dois inéditos

Confidências, o quinto disco de Viviane, assinala esta sexta-feira os seus dez anos de carreira a solo. É uma colectânea feita a pensar no seu público, com dois temas inéditos.

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Viviane Aurélio Vasques

Chama-se Confidências e é o quinto disco de Viviane a solo, uma colectânea dos quatro anteriores, dos quais reúne doze temas, mas acrescida de dois inéditos, Fado do beijo e uma versão do clássico brasileiro Cantoras do rádio, que fez sucesso na voz de Carmen Miranda. A ideia é um pouco “arrumar a casa” num diálogo com os seus públicos, o actual e o de sempre. No que respeita à colectânea, Viviane diz que “fez a escolha das canções tendo em conta aquelas que mais marcaram os álbuns anteriores. Por outro lado, também escolhi algumas que me pareceram um bocadinho injustiçadas por terem ficado para trás e as pessoas não as conhecerem. Por exemplo, Confidências da minha rua, Alma danada ou Só o sol. Isto é para aquele público que passou a conhecer-me mais recentemente, para terem uma perspectiva do que eu tenho feito até agora” mas é também, acrescenta, para quem já a conhece há mais tempo. “É aquele momento de intimidade entre mim e o meu público, com quem quero partilhar estes temas.”

O tema que abre o disco, Fado do beijo, foi escolhido de entre as letras que Hugo Costa, com quem ela trabalha habitualmente, lhe vai fazendo chegar. “Volta e meia ele envia-me umas letras e eu, quando vejo que alguma que me chame a atenção, agarro-a. Foi o caso deste Fado do beijo, que ele me enviou antes do Verão.” Este é o primeiro dos temas inéditos do disco. O segundo tema, Cantoras do rádio, Viviane gravou-o por se identificar com ele. “Acho que a letra diz um bocadinho daquilo que eu sou. ‘Canto pelos espaços afora/ vou semeando cantigas, dando alegria a quem chora’. Identifico-me muito com isto. Porque eu, como cantora, tenho a responsabilidade de acrescentar mais qualquer coisa à vida das pessoas. Quem faz música, quem faz arte, deve ter isso como objectivo. Nem que seja por um momento, por um espectáculo, por uma canção. Todas as pessoas têm a canção da vida delas e acho que a música tem que ter essa função.”

A letra desta canção, diz Viviane, “traduz um bocado isso”: “Nas minhas canções tenho sempre um lado optimista, às vezes canto coisas mais introspectivas mas nunca destrutivas, há sempre uma luz ao fundo do túnel. Cantoras do rádio pertence a uma época em que o espírito era outro, havia outro brilho.” Mesmo num tempo em que os cantores passam mais pela internet e pelas redes sociais, Viviane acha que a rádio “tem mantido um interesse que a televisão talvez tenha perdido”: “Rádio é sempre rádio, um espaço mágico que a gente tem que imaginar, porque não vê. Na televisão é diferente, a televisão perdeu muito em prol da internet e de uma procura mais imediata daquilo que as pessoas querem ver e que a televisão muitas vezes não oferece. Então se falarmos em música, a televisão está um marasmo, não é uma oferta cultural decente.”

Mas não foi na versão de Carmen Miranda que Viviane se inspirou. “Quando a Antena 1 comemorou 80 anos de rádio, fui cantar esse tema em directo. Eles tinham uma vasta lista de temas, não me identifiquei com muitos deles, mas escolhi-o este. Curiosamente descobri-o na voz de uma das minhas cantoras brasileiras preferidas, a Nara Leão. Quando a ouvi, só com uma guitarrinha, isso fez apaixonar-me logo pelo tema.”

Nascida em Nice, França, a 14 de Maio de 1972, Viviane foi vocalista dos Entre Aspas, antes de se lançar numa carreira a solo que completa esta ano uma década. Além dos dois temas novos, Fado do beijo (de Viviane, Tó Viegas e Hugo Costa) e Cantoras do rádio (um original brasileiro de Lamartine Babo, João de Barro e Alberto Ribeiro), Confidências inclui doze temas dos quatro discos anteriores: dois de Amores Imperfeitos, de 2005 (A vida não chega, Alma danada), quatro de Viviane, de 2007 (O tempo subitamente solto pelas ruas e pelos dias, Meu coração abandonado, Confidências da minha rua, Só o sol), dois de As Pequenas Gavetas do Amor, de 2011 (Não apagues o amor, Deixei a janela entreaberta) e quatro de Dia Novo, de 2014 (Do chiado até ao cais, Recomeçar, Era a voz que salvava, Vai mole a manhã).

Ainda este ano, Viviane vai apresentar este seu trabalho no Pax Julia, em Beja, a 5 de Dezembro, e dia 12 em Odemira. No próximo ano, 2016, rodará por outros palcos.