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Campanha para aumentar participação das mulheres na política lançada no Porto

Campanha vai estar disponível na plataforma online "Mulheres na Política". Principal objectivo é aumentar a participação das mulheres na política enquanto eleitoras e candidatas

A Assembleia da República registava 31% de mulheres em Novembro de 2014 e no Parlamento Europeu 36%, uma representação "relativamente baixa" que se pretende esbater com uma campanha que é lançada nesta quinta-feira na Universidade do Porto.

O aumento da participação das mulheres na vida política enquanto eleitoras e candidatas é o principal objectivo da nova campanha, denominada "Reforçar a Participação das Mulheres na Democracia", que é lançada e apresentada na próxima quinta-feira, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, pelas 16h30.

A campanha, que se insere no projecto europeu Commitment to Democracy through Increasing Women's Participation (CodeIWP), e cujos parceiros são Portugal, Lituânia, Letónia, Finlândia e Chipre, é apresentada publicamente no Auditório 1 da Faculdade de Psicologia e vai estar disponível na plataforma online "Mulheres na Política", disse à Lusa Helena Araújo, uma das investigadoras portuguesas que participa no projecto europeu.

"Acho interessante o papel que os 'mass media' [Comunicação social] podem ter para diminuir a discriminação de género na política", declarou a investigadora, referindo que o projecto de estudo de intervenção indica, por exemplo, que "apenas 24% das pessoas de quem se ouve falar ou se lê nas notícias são do sexo feminino" e que "apenas 13% dos conteúdos das notícias se concentram nas mulheres".

Para incentivar o aumento da participação das mulheres na vida política é preciso desenvolver uma estratégia para envolver mulheres e jovens na cidadania nacional e europeia. Para além do lançamento da plataforma online no Porto, o projecto CodeIWP vai também desenvolver uma conferência de imprensa em cada um dos cinco países parceiros — Portugal, Lituânia, Letónia, Finlândia e Chipre — e vai realizar oficinas de liderança para mulheres que ambicionem uma carreira política nacional e ou internacional. A hegemonia do género masculino na política em geral, mas também noutros sectores, pode explicar-se, na opinião da investigadora, pela distribuição dos papéis na família, pelas relações familiares, pela ditadura que Portugal viveu, mas também pela primazia que os 'mass media' dão aos homens.

Dados recolhidos em notícias da Internet no âmbito do projecto revelam que 16% das pessoas de sexo feminino que eram notícia online são retratadas como vítimas em contraste com 5% dos indivíduos do sexo masculino e 42% das notícias reforçam os estereótipos de género, enquanto que "apenas 36% das notícias da amostra foram relatadas por mulheres, em comparação com 64% de notícias que foram relatadas por homens".

O lançamento da campanha "Reforçar a Participação das Mulheres na Democracia", do projecto europeu CodeIWP, é promovido pelo Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.