PSP e GNR vão lançar inquérito para apurar razões de suicídios entre polícias

Governo de Passos Coelho já tinha confirmado que iria rever o Plano de Prevenção do Suicídio nas Forças de Segurança. Sindicatos ficam agora à espera de respostas do novo Governo.

PSP fez uma detenção a cada 40 minutos na Grande Lisboa em 2012
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PSP fez uma detenção a cada 40 minutos na Grande Lisboa em 2012 Daniel Rocha/Arquivo

A PSP e a GNR vão lançar até ao final deste ano um inquérito nacional a que responderão todos os seus elementos para apurar as razões que estarão na origem do aumento do número de suicídios nas suas fileiras. A medida saiu de uma reunião esta segunda-feira entre os sindicatos representantes das duas forças de segurança e o Ministério da Administração Interna.

“Pediram-nos sugestões exequíveis. Até 3 de Dezembro temos de apresentar sugestões de questões a incluir nesse inquérito a que todos os agentes responderão através do portal social da PSP acessível através da Internet”, confirmou ao PÚBLICO o presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), Mário Andrade. O responsável, que foi um dos dirigentes presentes na reunião, adiantou ainda algumas sugestões. O SPP considera importante passar a existir uma “melhor triagem feita por psicólogos na escola de polícia aquando do ingresso de novos agentes. Neste momento as entrevistas são feitas por outros polícias”, acrescentou.

Estas medidas surgem como reacção a uma recente vaga de suicídios de elementos da GNR e da PSP. Este ano, até meados de Novembro, tinham morrido 12 elementos, sendo que em apenas uma semana e meia puseram termo à vida três agentes da PSP e um militar da GNR. A última morte foi a de uma agente da PSP que terá usado a arma de serviço quarta-feira junto a uma esquadra na Maia. No local, a agente de 38 anos deixou um bilhete onde avisou que não queria polícias fardados no funeral que ocorrerá este sábado.  

A 13 de Novembro, o Governo de Pedro Passos Coelho decidiu criar um grupo de trabalho que irá rever o Plano de Prevenção do Suicídio nas Forças de Segurança. A informação foi adiantada em comunicado ao final da tarde desta sexta-feira pelo Ministério da Administração Interna na mesma altura em que se reuniam com o director nacional da PSP, Luís Farinha, os representantes dos sindicatos daquela polícia.

Nessa reunião, foram debatidas propostas para melhorar a prevenção de situações de suicídio na PSP. Luís Farinha e os sindicatos concordaram com duas propostas: contratar mais psicólogos para reforçar os comandos e fazer um rastreio aos 22 mil agentes da PSP, o que, se for aprovado, incluirá uma consulta de psicologia a cada um de dois em dois anos.

A mudança de Governo concretizada esta terça-feira com a indigitação de António Costa deixa, porém, já algumas dúvidas a alguns dirigentes sindicais afectos às forças de segurança. “Isso foi definido dessa forma pelo agora anterior Governo. Não se sabe se continuará a ser assim.  Vamos ver”, disse o presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda, José Alho. O militar da GNR critica a ideia de se lançar um inquérito nacional. “Isso não terá resultados. O importante era acabar com a avaliação anual aos guardas cujos critérios são perversos e pressionam o dia-a-dia dos profissionais. Também era importante os militares da GNR passarem a ser tratados como pessoas”, disse.