Adalberto Campos Fernandes, um médico e gestor como ministro da Saúde

Novo ministro da Saúde tem experiência de gestão à frente do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e do Hospital de Cascais.

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Adalberto Campos Fernandes: "Pela primeira vez os dirigentes assumem uma atitude ética de desprendimento dos lugares" PÚBLICO

Médico, gestor e coordenador do programa político do PS para a área da saúde, o nome de Adalberto Campos Fernandes para a pasta da Saúde não surge como uma novidade, já que fez toda a campanha ao lado de António Costa e manifestou disponibilidade para eventualmente vir a ser ministro.

Licenciado em Medicina e especialista em Saúde Pública, o também professor da Escola Nacional de Saúde Pública foi presidente do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e esteve também à frente do Hospital de Cascais. De momento liderava a comissão executiva do SAMS — Prestação Integrada de Cuidados de Saúde, o sistema de saúde dos bancários. Pelas instituições em que passou, ficou conhecido por conseguir equilibrar as contas. Trabalhou também no Millennium BCP, na área de seguros de saúde.

Além da licenciatura em Medicina, Campos Fernandes fez várias formações posteriores, sobretudo na área da gestão, nomeadamente na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa e na Universidade Católica Portuguesa. Completou também o Programa de Alta Direcção de Unidades de Saúde da Escola de Direcção e Negócios da AESE. Na ENSP, leccionava cadeiras relacionadas com Administração Hospitalar, Gestão em Saúde e Políticas de Saúde.

Menos de uma semana antes de integrar o Governo de António Costa, o agora ministro da Saúde defendeu a sua dissertação de doutoramento em Administração da Saúde, dedicada a um tema muito actual: a relação ou combinação entre público e privado na saúde. O título da tese é A Combinação Público-Privado em Saúde: Impacto no desempenho no sistema e nos resultados em Saúde no contexto português”.

Segundo descreveu o economista da Saúde Pedro Pita Barros, no seu blogue, a dissertação “reflecte a experiência profissional do autor, além de ter tido uma recolha de informação própria (questionários e entrevistas)”. “A pergunta crucial que é natural surgir é ‘deve o sector privado crescer mais?’, interessante em si mesma e também pelo que possa ter de implicações para políticas futuras no campo da saúde. A resposta não foi evasiva (como poderia ter sido), tendo o autor defendido que o sector privado deve ter as características, incluindo aqui a dimensão, que melhor sirva o serviço público”, descreveu Pita Barros.

Em Junho, Campos Fernandes, numa sessão de apresentação dos programas sectoriais dos partidos, garantiu que, caso o PS viesse a formar Governo, daria prioridade, na área da saúde, ao tema das doenças crónicas, do envelhecimento e da inovação. Uma das ideias passava por transformar a Linha Saúde 24 numa espécie de “centro de contacto” do SNS, através do qual os cidadãos conseguissem facilmente garantir o acesso a consultas, exames complementares e cirurgias.

Campos Fernandes defendia que é também urgente rever as taxas moderadoras — ideia que acabou por ser agora incluída no programa do Governo, com os contributos do BE e PCP. Os socialistas não defendem o fim das taxas, mas Campos Fernandes adiantava, na altura, que a ideia é isentar do pagamento quem chega a um hospital referenciado pelos cuidados primários, Linha Saúde 24 ou INEM.

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