Belgas twittam gatinhos para desinformar suspeitos de terrorismo

Polícia belga pede aos cidadãos para não partilharem a localização e detalhes de operações de segurança em curso. Utilizadores da rede social Twitter inundam as timelines com imagens de gatos para ocultar informação que possa ser útil para os suspeitos de terrorismo.

Imagem de um gato publicada no Twitter
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Imagem de um gato publicada no Twitter DR

Depois de as autoridades belgas terem pedido aos cidadãos para não partilharem informações sobre as operações policiais em curso, os utilizadores locais do Twitter inundaram aquela rede social com imagens e pequenos vídeos de gatos para ocultar mensagens que possam inadvertidamente dar pistas a suspeitos de terrorismo.

O aviso da polícia, feito este domingo, seguiu-se a uma torrente de mensagens de moradores de Bruxelas que partilhavam em tempo real com os seus amigos e seguidores informações sobre operações em curso nos seus bairros. Com a capital belga praticamente encerrada e os seus habitantes instados a permanecer em casa, estes tweets poderiam auxiliar eventuais suspeitos. A imprensa, nomeadamente o Le Soir, deixou igualmente de indicar a localização de acções antiterrorismo.

Com algum sentido de humor, mas com um propósito concreto, milhares de utilizadores do Twitter partilham desde então mensagens de gatos sob as hashtags #BrusselsLockdown, #Brussels e #Bruxelles.

Já depois de a operação ter terminado, a polícia agradeceu à imprensa e aos utilizadores das redes sociais "por terem tido em conta as necessidades da operação que estava a decorrer".

Depois de um fim-de-semana sob alerta máximo de segurança devido a informação concreta sobre um iminente ataque terrorista, Bruxelas vai iniciar a semana com escolas e transportes públicos encerrados.

Para além da ameaça concreta, as ligações de Bruxelas e do município de Molenbeek aos atentados de Paris contribuíram para o estado de alerta. Brahim Abdeslam e outro bombista suicida dos atentados de 13 de Novembro, Bilal Hadfi, viveram na Bélgica e Salah Abdeslam regressou àquele país depois de perpetrados os ataques na capital francesa. Um terceiro suspeito de ligação aos ataques concertados em Paris foi detido na Bélgica horas antes de ter sido elevado o nível de alerta para o máximo de 4 em Bruxelas. A sua identidade não foi divulgada, mas a polícia diz que “em sua casa foram encontradas várias armas”. Terá ainda ajudado Salah Abdeslam na fuga.