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Presidente da Venezuela diz que não aceitará derrota nas legislativas

“Para que querem chegar à Assembleia Nacional? Para negar os recursos ao povo? Eu não vou deixar", disse o Presidente. Oposição já discute que medidas tomar se vencer a 6 de Dezembro.
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Nicolás Maduro esteve quinta-feira em Genebra Denis Balibouse/Reuters

Num discurso oficial transmitido pela televisão estatal Venezoelana TV, o Presidente Nicolás Maduro disse na segunda-feira estar preparado militarmente para assumir o poder caso perca as eleições de 6 de Dezembro.

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“Para que querem chegar à Assembleia Nacional? Para negar os recursos ao povo? O país entraria no caos. Eu não vou deixar”, afirmou Maduro a partir do palácio presidencial de Miraflores.

Ainda que as sondagens dêem a vitória à oposição, o governo revela dados que favorecem o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em 40% dos votos, e o chefe de Estado reafirma a previsão.

“Se chegar a acontecer essa hipótese negada, rejeitada, transmutada e sepultada [de não conseguir a vitória], estou cerebralmente, espiritualmente, politicamente e militarmente preparado para assumi-la. Lanço-me à rua com o povo. Somos milhões, um bloco compacto de revolucionários”.

Relembrando que em 19 eleições o chavismo apenas perdeu uma, o Presidente venezuelano apelou ao voto nas legislativas em nome da revolução bolivariana e disse que não há uma oposição ao governo, mas uma “contra-revolução extremista”.

A Administração de Maduro está marcada pela taxa de inflação mais elevada do mundo e por uma contracção económica que o Banco Mundial prevê atingir os 10% este ano. Ainda assim, na declaração pública o Presidente prometeu que “com a vitória nas eleições, vem uma nova etapa de ofensiva económica nunca antes vista no país. Serão dias que irão marcar a história da Venezuela”.

Com as eleições presidenciais agendadas para 2019, esta é a oportunidade que a coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD) vê para uma mudança política já em 2016. De acordo com Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, condenado a 13 anos de prisão num julgamento polémico, o partido discute “sobre qual o mecanismo a activar” para a revogação legal do mandato de Maduro no caso de a oposição conseguir maioria absoluta a 6 de Dezembro.

As eleições serão supervisionadas pela União das Nações Sul-Americanas (UNASUR), depois da presença da Organização dos Estados Americanos (OAS) ter sido vetada por Caracas. Maduro esteve presente no último Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos em Genebra na passada quinta-feira, onde acusou a comunidade internacional, e em especial a ONU, de assediar a Venezuela com acusações de parcialidade judicial para tentar isolar o país.

Texto editado por Ana Gomes Ferreira