Estados americanos fecham a porta a refugiados sírios por causa do terrorismo

Dezenas de governadores anunciam intenção de não acolherem mais pessoas vindas daquele país em guerra. Os atentados de Paris são a justificação.

Obama tinha anunciado que os EUA iriam receber 10 mil refugiados sírios ao longo de um ano
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Obama tinha anunciado que os EUA iriam receber 10 mil refugiados sírios ao longo de um ano Bulent Kilic/AFP

Quase metade dos 50 estados norte-americanos declararam-se indisponíveis para acolher refugiados sírios, depois dos atentados de Paris, uma decisão que contradiz o apelo do Presidente Barack Obama para não confundir “refugiado” com “terrorista”.

Do Ohio ao Texas, mais de 20 governadores, quase todos republicanos, anunciaram a sua recusa em acolher refugiados sírios, temendo que entre eles possam estar terroristas dissimulados.

O presidente da comissão da Segurança Interna da Câmara dos Representantes, Michael McCaul, pediu na segunda-feira a Obama para suspender o acolhimento de refugiados sírios, organizado “sem respeitar a segurança dos americanos”. Um apelo a que se juntou prontamente o governador do Estado de Oklahoma.

“Um ‘refugiado’ sírio parece ter participado nos ataques terroristas de Paris. A compaixão humanitária americana poderá ser explorada para expor os americanos a um perigo mortal semelhante”, disse por seu lado Greg Abbot, governador do Texas. Numa carta dirigida a Obama, anunciou que “não aceitaria refugiados da Síria”.

O governador do Mississipi, Phil Bryant, denunciou uma política “extremamente perigosa”, tal como os do Alabama. Louisiana, Arkansas, Tenessee, Georgia, Idaho, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Wisconsin e Arizona, que também recusam receber refugiados sírios.

Os governadores do Massachusetts e da Carolina do Sul declararam “não estar interessados em aceitar refugiados da Síria”. E o governador do Nebraska apelou a “todas as agências de acolhimento de refugiados a declinarem os pedidos” de sírios.

Outros estados suspenderam temporariamente o acolhimento de refugiados sírios, ficando a aguardar medidas suplementares de segurança por parte do Governo federal, como o Illinois, o Indiana e o Michigan.

Rick Snyder, governador do Michigan, estado que alberga uma das mais importantes comunidades originárias do Médio Oriente, fez questão de sublinhar que os atentados “foram levados a cabo por extremistas e não reflectem a atitude pacífica das pessoas originárias do Médio Oriente.”

O Conselho das relações américo-islâmicas indignou-se com as posições dos “governadores que rejeitam aqueles que fogem da guerra e da perseguição, abandonando os nossos ideais e projectando os nossos medos no mundo”.

Os EUA anunciaram no início de Setembro que iriam acolher 10.000 refugiados sírios até Outubro de 2016, um número bem maior do que os 1800 que acolheu desde 2011.