Do design para a agricultura

O Stoock é um sensor que pretende optimizar a rega em culturas agrícolas. Está em fase beta e quer chegar ao mercado no fim de 2016.

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Sensor permite ajustar a quantidade de água usada na rega Rui Gaudêncio

A história arranca com um mestrado em desenho gráfico e segue para o mundo das explorações agrícolas. Mas esta não é mais uma história de um profissional criativo que trocou a vida urbana por uma vida no campo. Bruno Fonseca, 29 anos, está a desenvolver um sensor que regista vários parâmetros numa cultura, permite aos agricultores analisá-los num computador ou telemóvel e ajustar com precisão a quantidade de água que precisam para regar.

“Esta startup começou quando acabei o meu mestrado e estava a fazer um projecto para um agricultor em Idanha-a-Nova, que me falou da possibilidade de desenvolver um caderno de campo digital”, recorda Bruno Fonseca. O conceito começou por dar origem ao Agroop, um software de gestão das actividades agrícolas. O sensor - chamado Stoock e ainda em fase de testes - surgiu como um prolongamento desta ideia. Analisa factores como a temperatura do ar, a radiação solar, a humidade do ar e do solo, e a velocidade do vento.

A Agroop - a empresa por trás do Stoock - começou por obter financiamento numa plataforma portuguesa chamada WePinch: foram sete mil euros para financiar o arranque, a que se juntou dinheiro do Passaporte para o Empreendedorismo, uma iniciativa estatal que atribui bolsas a jovens. Mais tarde, obtiveram mais investimento através da Seedrs, uma plataforma que permite a qualquer pessoa investir numa empresa em troca de capital. Definiram como objectivo angariar 75 mil euros pela venda de uma fatia de 5%, conseguiram quase 84 mil.

Por ora, o Stook está a ser usado em 20 explorações, numa fase beta. “Em Janeiro, vamos para uma segunda fase de financiamento. Esse investimento permitirá uma produção em escala”, adianta Bruno Fonseca, acrescentando que, por enquanto, os aparelhos têm sido fabricados em Portugal. O objectivo é colocar o dispositivo no mercado no final do próximo ano.

O projecto é um dos finalistas do prémio EDP Inovação, cujo vencedor será anunciado na próxima semana. No concurso estão ainda duas outras ideias, em fases muito diferentes de desenvolvimento.

O Smart Solar Water, ainda numa fase inicial, é um aparelho para reduzir o consumo eléctrico dos sistemas de aquecimento solar de água, nomeadamente nas casas. O equipamento - que não é o único do género - tem um algoritmo que pretende aumentar o aproveitamento da energia solar e usar a rede eléctrica em períodos em que a electricidade seja mais barata, de forma a reduzir a factura dos consumidores.

“É uma evolução dos controladores actuais, que têm uma perspectiva menos actualizada. Os controladores de hoje, quando não há energia solar suficiente para aquecer a água, ligam a energia eléctrica da rede”, explica Rui Maia, engenheiro informático de 39 anos, um dos mentores. O projecto deriva de um doutoramento na área da sustentabilidade energética feito por Diana Neves, a outra responsável pelo Smart Solar Water.

Rui Maia não quis adiantar que financiamento precisa para colocar o dispositivo à venda. “Estamos a seguir várias vias. Temos  um pedido de registo de patente industrial”, afirmou.  “Há várias hipóteses de isto andar. Dependendo do investimento que tivermos, o produto pode ser colocado [no mercado] em três meses”.

Já a ser comercializado está o outro finalista. Chama-se black.block e é um conceito de contentor de desidratação de frutas e vegetais, que recorre a energia solar. O projecto nasceu em 2012. Gonçalo Martins, 48 anos, arquitecto paisagista, estava a gerir uma exploração de plantas aromáticas e precisava de um secador. “As soluções que havia eram soluções com um custo energético muito elevado e como o aumento do custo da electricidade nos últimos anos se agudizou...”

O contentor usa painéis de energia solar para criar ar quente, que é durante o dia responsável pela secagem. À noite, é ligado um desumidificador. Quando a temperatura está demasiado alta, o ar é expelido e introduzido ar do exterior. A alternância de métodos é controlada por um algoritmo e pode ser gerida através de software num computador ou telemóvel. “O que nós patenteámos foi a solução completa”, diz o responsável.

O sistema foi posto à venda no ano passado, tendo sido vendidas 12 unidades com um preço médio de 14 mil euros. A empresa quer aumentar a actividade em Portugal no próximo ano, e expandir-se para Espanha, França e Itália nos seguintes.

Texto escrito no âmbito de uma parceria com o Prémio EDP Inovação