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Suu Kyi atinge oficialmente a maioria absoluta na Birmânia

A oposição birmanesa ultrapassou a marca dos 329 deputados de que precisava para uma maioria. Governo diz estar pronto para uma transição pacífica.

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Suu Kyi diz que vai comandar o país, mesmo que a Constituição a impeça de ser Presidente. Soe Zeya Tun/Reuters

A comissão eleitoral birmanesa deu nesta sexta-feira o carimbo oficial a um resultado que já se antecipava desde o início da semana: o partido da oposição liderado pela Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, atingiu e ultrapassou a marca da maioria absoluta no Parlamento. 

A Liga Nacional para a Democracia tem já 348 deputados nas duas câmaras do Parlamento, mais do que os 329 de que precisava para assegurar uma maioria absoluta. Cindo dias depois das eleições, as primeiras que observadores internacionais consideraram livres e multipartidárias, estão contados à volta de 83% dos boletins de voto, o que indica que a oposição deve vencer ainda mais assentos parlamentares.

O partido do Governo já admitira a derrota no início da semana e comprometeu-se a transferir o poder para Suu Kyi, pacificamente. O União do Desenvolvimento e Solidariedade, satélite político do exército da Birmânia, conseguiu por enquanto apenas 40 assentos parlamentares, ou 5% dos votos. 

As negociações entre a oposição vencedora e o partido do poder devem começar na próxima semana. Apesar dos resultados avassaladores do partido de Suu Kyi, a Constituição birmanesa continua a ser um entrave a um Governo do LND. Os militares têm direito a um quarto dos lugares no Parlamento  o suficiente para vetar qualquer alteração constitucional – assim como a várias pastas importantes no Executivo: Interior, Defesa e Fronteiras. 

A Constituição impede também que Suu Kyi seja nomeada Presidente pelo Parlamento, uma votação que deve acontecer no início do próximo ano. Mesmo assim, a líder oposicionista anunciou já que vai desempenhar o cargo não oficialmente, através de um outro membro do LND.