Ao serviço de sua majestade a Cultura

A definição é de Rui Reininho, mas não se afasta, antes sintetiza, várias das declarações que ontem se ouviram a propósito de Paulo Cunha e Silva e da sua morte, inesperada e prematura. Só que, em lugar de agente secreto (como o 007 que inspirou o vocalista dos GNR a criar tal designação), Paulo Cunha e Silva era demasiado público, um promotor cultural hiperactivo e empenhado, que ainda ontem era falado, embora não oficialmente, como um possível próximo ministro da Cultura. A tal Cultura que ele servia como majestade soberana num território onde muitas vezes a iniciativa e o empenho fazem toda a diferença. Ele mostrou, e será decerto o seu principal legado, que é possível tornar a cultura prioritária na prática, não só no papel, e que se outros também o fizerem, Portugal será um país melhor no futuro. “É preciso que o que ele fez – e como o fez – continue”, disse Artur Santos Silva. Podemos começar por aí.