O elogio do sentido de serviço público de Assunção Esteves e Oliveira Martins

Cavaco Silva condecorou a ex-presidente da Assembleia da República e o ex-presidente do Tribunal de Contas com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.

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Miguel Manso
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Assunção Esteves desempenhou as funções de presidente da Assembleia da República com "inteligência, saber e independência, enfrentando situações bastante difíceis que resolveu com sabedoria"; Guilherme d'Oliveira Martins "prestigiou o Tribunal de Contas e deu um contributo pessoal para pôr em ordem as contas públicas do país". Ambos desempenharam com "muita dignidade, muita dedicação e sentido de serviço público" as funções que sucessivamente ocuparam, elogiou esta quarta-feira o Presidente da República quando os condecorou.

Cavaco Silva agraciou Assunção Esteves e Guilherme d'Oliveira Martins com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo numa cerimónia no Palácio de Belém nesta quarta-feira à tarde que juntou algumas dezenas de pessoas, entre elas o presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o ministro da Presidência Luís Marques Guedes, a ministra da Agricultura Assunção Cristas o líder da bancada parlamentar do PSD Luís Montenegro, os vice-presidentes do PSD Teresa Leal Coelho e Marco António Costa, o antigo secretário de Estado da Cultura Jorge Barreto Xavier e o filósofo Eduardo Lourenço.

"Estamos perante duas personalidades que pelo seu esforço e mérito ascenderam aos mais altos cargos do Estado. Desempenharam-nos com muita dignidade, muita dedicação e sentido de serviço público. Estamos perante duas personalidades a quem Portugal deve muito", insistiu o Presidente da República. 

A política como "espaço de amor"
No seu discurso de improviso, Cavaco Silva realçou que presidir ao Parlamento é um dos cargos "mais complexos e exigentes da vida portuguesa" e que Assunção Esteves 
foi a primeira mulher a ocupar esse cargo. Fê-lo, elogiou, com "inteligência, saber, e independência, enfrentando situações bastante difíceis, que resolveu com sabedoria e servindo os interesses do órgão a que presidia". Recordou que além de deputada na Assembleia da República o foi também no Parlamento Europeu e vincou o seu carácter de "europeísta convicta" que a levou à presidência do Movimento Europeu em Portugal, batendo-se por uma Europa "mais próxima dos cidadãos".

Além disso, foi juíza conselheira do Tribunal Constitucional durante nove anos e docente universitária. É uma "grande mulher que serviu com dedicação a causa pública" no país, realçou o Chefe de Estado.

Quando tomou a palavra, Assunção Esteves lembrou ter sido "companheira" de Cavaco Silva "num difícil percurso" durante o seu mandato de quatro anos na última legislatura. A ex-presidente do Parlamento considerou a condecoração como uma "espécie de celebração da política como o amor ao mundo, como o espaço de começos; o espaço em podemos multiplicar a capacidade de amar o outro, um espaço de amor". À saída, haveria de dizer aos jornalistas que esta era uma condecoração não apenas para ela mas para os políticos em geral.

A ajuda para colocar as contas públicas em ordem 
Guilherme d'Oliveira Martins assumiu a presidência do Tribunal de Contas num tempo em que se alargaram as funções daquele órgão e em que foram aumentadas as "exigências de rigor de forma a contribuir para o saneamento das finanças públicas". Durante os 10 anos que esteve à frente daquele tribunal deu um "contributo pessoal para pôr em ordem as contas públicas", vincou Cavaco Silva.

O magistrado foi também docente, assim como deputado durante sete legislaturas e ocupou o cargo de ministro - da Educação, da Presidência e das Finanças, todos com António Guterres. Entre a sua actividade cívica conta-se a presidência do Centro Nacional de Cultura.

Na sua curta intervenção, Oliveira Martins - que é desde há um mês administrador da Fundação Calouste Gulbenkianvincou que quando uma instituição funciona isso se deve ao empenhamento de todos os que lá trabalham, como é o caso do Tribunal de Contas. Realçou que não há actividade "mais nobre" que a actividade política e a actividade cívica, nas quais se leva a cabo a "tarefa do bem comum e tarefa da defesa dos cidadãos anónimos, que não têm voz mas precisam de ter voz, precisam da justiça e da equidade".

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