Depois do "ressabiamento nervoso", Costa espera “postura responsável” de PSD e CDS

Líder do PS explica por que BE e PCP não estão no Governo, mas não fecha a porta a participação futura.

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António Costa Francisco Leong/AFP

António Costa explica que o compromisso obtido com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista “não permite ir mais além”, integrando os dois partidos num eventual Governo do PS, mas não fecha a porta a “evoluções futuras”. Numa entrevista à revista Visão, o líder do PS acrescentou também que espera uma “postura responsável” de PSD e CDS.

“O compromisso que obtivemos [com PCP e BE] não permite ir mais além, mas estão garantidas condições de estabilidade e governabilidade. É um resultado que nos deixa confortáveis a todos e que não impede evoluções futuras que permitam consolidar e alargar o que construímos agora...”, disse António Costa numa entrevista à Visão, que será publicada nesta quinta-feira e de que a revista antecipou algumas ideias no seu site.

Também nesta quarta-feira à noite, Catarina Martins, porta-voz do BE, tinha dito na RTP que só com um acordo "mais abrangente" seria possível o Bloco integrar um governo juntamente com o PS.

Considerando que um “governo de gestão seria a pior das soluções para o país”, António Costa garante na mesma entrevista à Visão ter “condições para responder imediatamente, quer com a apresentação do programa de Governo, quer com o elenco governativo”.

António Costa disse ainda o que espera de PSD e CDS. “Não me passa pela cabeça que este ressabiamento nervoso que a direita apresenta neste momento não lhe passe ao fim de uns meses e que não passe a ter uma postura responsável." Uma declaração que surge no dia em que Diogo Feio, vice-presidente do CDS, defendeu que os dois partidos de direita "não devem aprovar" nada ao PS.

A posição de Costa foi secundada por Mário Centeno, deputado socialista. “Espero que PSD e CDS aprovem todas as medidas com as quais concordem”, disse o deputado socialista em entrevista à RTP3, que espera essa postura de sociais-democratas e centristas “para bem da honestidade intelectual com os portugueses”.

Centeno "livre" para ser ministro das Finanças
Na entrevista à RTP3, Mário Centeno assumiu estar disponível para ser ministro das Finanças de um eventual Governo socialista: “A minha disponibilidade para participar nesta aventura intelectual e de debate público de pensar as alternativas para a economia portuguesa pode ter esse espaço”, disse o deputado do PS, respondendo afirmativamente quando o jornalista Vítor Gonçalves lhe perguntou se estava “livre” para ser ministro das Finanças.

Ao longo da entrevista, Mário Centeno repetiu a ideia de que o PS quer “virar a página da austeridade” com “responsabilidade financeira”, mas recusou que o programa socialista seja “a quadratura do círculo”, ao tentar devolver rendimentos às pessoas sem aumentar o défice. O ex-consultor do Banco de Portugal preferiu usar uma metáfora, afirmando que país é um carro que tem de colocar uma roda num sítio onde agora tem um triângulo.

O coordenador do programa económico do PS insistiu que “Portugal não irá seguir a trajectória da Grécia” e que “não há um risco de um novo resgate” por causa das políticas que os socialistas querem implementar.

Confrontando com referências na imprensa internacional, Centeno respondeu: “Não consigo conter a imaginação dos jornalistas dos outros países.”

Na mesma entrevista, Mário Centeno assumiu o objectivo de “olhar seriamente para os escalões do IRS e perceber se é possível fazer alguma melhoria”. Mas remeteu mais detalhes para o momento em que tiver mais pormenores sobre a máquina fiscal, não excluindo, no entanto, que possa aumentar o IRS para quem tem rendimentos mais elevados.

Sobre a TAP, Mário Centeno não se quis comprometer – “ninguém em Portugal sabe como o processo chegou a este ponto". E o mesmo afirmou sobre o Novo Banco. “A informação que existe é muito escassa”, disse o deputado socialista, assumindo que é “claramente uma situação” que o “preocupa”.