Deputados juntaram-se à manifestação contra a moção de rejeição

Polícia Municipal garantiu um cordão de segurança em frente da Assembleia da República, que separa a manifestação que apoia o executivo PSD-CDS da manifestação “contra as políticas de direita” convocada pela CGTP.

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Miguel Manso
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Os líderes parlamentares do PSD e do CDS-PP, Luís Montenegro e Nuno Magalhães, juntaram-se aos manifestantes que se concentraram ao início da tarde junto à Assembleia da República, para lhes agradecerem o apoio contra a moção de rejeição ao programa do Governo.

"Acho que é uma manifestação que os portugueses compreendem e que visa respeitar a vontade do povo. Nós vivemos, felizmente, numa democracia madura, onde todas as posições e escolhas são colocadas perante o povo para serem sufragadas. Houve eleições no dia 4 de Outubro, a coligação PaF venceu as eleições e a expectativa dos portugueses é que sejamos nós a constituir o Governo e a ter oportunidade de executar o programa que foi sufragado pelo povo português", afirmou Luís Montenegro, citado pela Lusa.

Para Nuno Magalhães, a concentração de manifestantes representa "um país que não gosta de ser enganado" e que "não gosta de fraudes políticas". De acordo com a Lusa, Magalhães considerou que "algumas destas pessoas que aqui estão, se calhar, nem na PaF votaram, mas há uma coisa em que votaram e acreditam, numa prática constitucional e num país na União Europeia e na NATO".

Os líderes parlamentares estavam acompanhados dos deputados Marco António Costa, também vice-presidente do PSD, e António Carlos Monteiro, secretário-geral do CDS-PP. Enquanto os deputados eram envolvidos por centenas de manifestantes, na varanda do Palácio de São Bento o primeiro-ministro e o vice-primeiro ministro, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, acenavam aos manifestantes. "Venho felicitar as pessoas que aqui estão a manifestar-se", afirmou aos jornalistas Passos Coelho.

A “manifestação contra a rejeição do Governo” foi convocada pelas redes sociais com o apoio do CDS-PP e PSD, mas o organizador da acção, Mário Gonçalves, líder do CDS de Monforte, garante que “a mobilização é popular, completamente voluntária e sem apoio partidário”.

“Somos amadores, não temos uma estrutura profissional como a CGTP”, afirmou, referindo-se à manifestação que está marcada para as 15h, também nesta terça-feira e também nas escadarias do Parlamento. Mas se Mário Gonçalves esperava, como disse ao PÚBLICO, "quatro ou cinco mil pessoas", a sua expectativa saiu gorada.

“Quero deixar claro a diferença de valores entre as duas manifestações”, continuou o dirigente centrista de Monforte. “Enquanto nós somos pessoas de verdade que se juntaram por uma causa, a CGTP andou a requisitar camionetas em juntas de freguesia para trazer militantes a Lisboa, camionetas essenciais para as autarquias, que fazem o transporte de crianças para as escolas.” Enquanto dizia isto, Mário Gonçalves ia mostrando uma fotografia de uma comunicação do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo, que assinalava o mesmo fenómeno de falta de transportes para os alunos.

A conversa com Mário Gonçalves foi sendo interrompida pelas palavras de ordem da população, desde “Passos vai em frente, tens aqui a tua gente” a “Costa para a rua, a casa não é tua”, ou ainda "Assis, Assis, salva o país".

Estela, 55 anos, licenciada em História mas desempregada, é uma das pessoas que canta a plenos pulmões. Tem uma bandeira nacional pelos ombros e admite que já foi “de esquerda”, mas que percebeu que “não funciona”. “Assisti ao 25 de Abril, manifestei-me, protestei e passei por muitas coisas e sei que esta coligação de esquerda não vai resultar”, lamenta. E propõe eleições: “O PS não tem legitimidade. Não votámos neles. Acho que se devia realizar eleições com a maior brevidade possível, assim tirávamos as dúvidas”.

Na manifestação contra a moção de rejeição estão também vários jovens, muitos de camisa e gravata. “Estamos contentíssimos pela quantidade de gente que está cá hoje, mas tristíssimos pelas razões que nos levaram a juntar”, diz João, de 22 anos, que acabaria por assumir que é “CDS e monárquico”.

Naquele grupo de cinco, são “todos monárquicos”, diz Pedro. “Mas não somos reaccionários, estamos aqui porque rejeitamos um governo questionável e com tiques de autoritarismo, porque este não foi um processo democrático. Queremos um governo escolhido realmente pelos portugueses.”

A PSP também estava muito activa e tentava controlar a manifestação do lado esquerdo da Assembleia da República, na continuação da Rua de São Bento. O lado direito da escadaria está reservado para a CGTP e há uma “triagem” de pessoas que vêm do Largo do Rato, dependendo do apoio ou oposição ao Governo.

O hino nacional começou a ouvir-se. No final, quase como se tivesse sido preparado, Passos Coelho e Paulo Portas assomaram à varanda do edifício do Parlamento, o que deixou a multidão ainda mais frenética. Um pequeno alento antes da votação das moções de rejeição.

Texto editado por Leonete Botelho