Torne-se perito

Preso ex-militar na Irlanda do Norte implicado no Bloody Sunday

Massacre em que pára-quedistas dispararam sobre manifestantes em Londonderry está a ser reinvestigado.

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Mural que retrata uma das vítimas, Jackie Duddy, a ser levada por manifestantes Cathal McNaughton/REUTERS

Um antigo soldado do Exército britânico foi detido pela polícia da Irlanda do Norte que está a investigar o que aconteceu no episódio de violência em Londonderry, a 30 de Janeiro de 1972, que ficou conhecido como Bloody Sunday (Domingo Sangrento): 13 pessoas que participavam numa marcha contra as detenções em massa e sem julgamento foram abatidas a tiro por pára-quedistas britânicos, o que desencadeou vários dias de motins, em que mais pessoas morreram.

O ex-pára-quedista tem hoje 66 anos e foi detido em County Antrim, um dos seis condados que formam a Irlanda do Norte. É a primeira pessoa detida no contexto da investigação dos acontecimentos do Bloody Sunday. “Tem início uma nova fase na investigação que continuará durante algum tempo”, afirmou o inspector chefe Ian Harrison, citado pela BBC.

O Serviço de Polícia da Irlanda do Norte reabriu a investigação sobre os acontecimentos de 1972 no início deste ano, e também está a rever a forma como foram investigados outros assassínios antes de ter sido criada a secção de crimes graves, em 2004. É uma tarefa que pode levar 15 anos a terminar, estimava a polícia em Janeiro.

Os acontecimentos do Bloody Sunday foram já alvo de duas investigações levadas a cabo pelo Governo britânico. O Tribunal Widgery, logo a seguir ao ocorrido, descreveu a forma como os soldados usaram as armas como “próxima da imprudência”, mas foi considerado pelos nacionalistas católicos como uma tentativa de abafar os acontecimentos.

Em 1998, foi criada uma comissão de inquérito liderada pelo lorde Saville de Newdigate para investigar o que se passou. Os seus resultados, apresentados a 15 de Junho de 2010, tinham indícios que permitiriam reabrir a investigação e até identificar alguns dos soldados envolvidos - e suscitaram críticas dos militares. Concluía que todos os que foram mortos estavam desarmados, e que eram “injustificadas e injustificáveis” as suas mortes.

O primeiro-ministro David Cameron apresentou na altura um pedido de desculpas formal em nome do Reino Unido.

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