Moção de rejeição conjunta a Passos afastada pelo PS

António Costa anunciou na Comissão Política que o grupo parlamentar do PS ia apresentar a sua moção de rejeição.

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António Costa na Comissão Política do PS Nuno Ferreira Santos

Os partidos da esquerda não vão unir-se num documento único de rejeição do Governo da coligação PSD/CDS. O secretário-geral do PS, António Costa, confirmou isso mesmo neste domingo à noite na sua intervenção na Comissão Política socialista, ao anunciar uma moção de rejeição autónoma da parte do PS. A informação foi confirmada por alguns dos dirigentes presentes na reunião interna que antecede o debate do programa de governo do novo Governo de Passos Coelho.

Essa era uma das duas dúvidas que persistiam à hora do arranque da reunião sobre os aspectos práticos do acordo à esquerda.

Assim o Parlamento deverá receber quatro moções, sendo que, em principio, apenas uma deverá ser votada. É que, caso a primeira proposta seja aprovada, as restantes ficam prejudicadas, deixando de fazer sentido a sua votação.

Por outro lado, se parecia ser visto como certo que o entendimento daria lugar a assinaturas de um documento escrito, não estava ainda fechado se essas assinaturas se fariam em conjunto com todos os quatro partidos – PS, PCP, BE e Verdes – ou em separado.

Ainda assim, esse sinal não fez esmorecer o entusiasmo em relação ao acordo, à entrada da reunião. Mais de um dos participantes da reunião do PS destacava neste domingo o “momento histórico” que o país tinha testemunhado com o anúncio feito a partir da sede do PCP. Em causa estava o facto de o secretário-geral comunista ter falado numa solução “na perspectiva da legislatura”. Era isso que o PS pretendia ouvir.

Veja a proposta de programa de Governo do PS e a lista de medidas que mereceram acordo dos quatro partidos

O ex-deputado e candidato derrotado à Presidência, Manuel Alegre, fez questão de o assinalar. "Venho aqui partilhar um momento histórico. Ouvi com emoção as palavras do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e a posição do PCP", declarou Manuel Alegre, numa referência ao anúncio em que os comunistas deram por fechado o acordo político para a formação de um Governo do PS, suportado no Parlamento pelas restantes forças de esquerda.

Também João Cravinho, ex-ministro das Obras Públicas (do Governo de António Guterres), fez questão de sublinhar a forma como o líder do PCP saíra da reunião do Comité Central. Uma posição “muito clara” e que abria a porta a um espaço político capaz de “dotar o país de um governo com uma política de continuidade”. João Cravinho desvalorizou as medidas de aumento da despesa contidas no Programa de Governo revelado e que o essencial era o “passo histórico imenso” que Portugal estava a testemunhar.

Ao mesmo tempo, Francisco Assis, o socialista que protagoniza a linha interna contestatária ao acordo à esquerda, chegou à reunião sem alterar uma linha das suas posições, apesar da decisão da Comissão Nacional. “As nossas divergências de fundo são de tal ordem que não é possível”, frisou o eurodeputado. A sua confiança no apoio do BE e PCP a um Governo do PS durante uma legislatura era muita reduzida.

“Governar é enfrentar situações desconhecidas, e nós vamos entrar no terreno do desconhecido muitas vezes”, avisou. Mas acrescentou que não tenciona manter a contestação. “Não vou entrar em guerrilha”, disse à entrada da Comissão Política.