Obama rejeita oleoduto Keystone XL por razões ambientais

Presidente dos EUA põe fim a uma discussão que começou há sete anos e diz que é possível "promover o crescimento económico e proteger o ambiente ao mesmo tempo".

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A decisão foi anunciada ao lado do vice-presidente e do secretário de Estado MANDEL NGAN/AFP

O Presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou esta sexta-feira a sua decisão final de não autorizar a construção do Keystone XL, um oleoduto que começou por ser um projecto rotineiro para transportar petróleo extraído no Canadá mas que se transformou num símbolo do combate às alterações climáticas.

A decisão já era esperada, depois de Obama ter vetado uma proposta do Congresso para o início da construção do oleoduto, em Fevereiro passado, mas os argumentos utilizados pela Casa Branca vieram dar mais força aos ambientalistas, a menos de um mês do início da conferência sobre alterações climáticas, em Paris.

"A América é um líder mundial nas acções sérias de combate às alterações climáticas. Com toda a franqueza, a aprovação deste projecto teria prejudicado essa liderança mundial, e neste momento o maior risco que enfrentamos é o de não agir", disse Barack Obama, numa declaração feita ao lado do seu vice-presidente, Joe Biden, e do secretário de Estado, John Kerry – um indicador da importância deste assunto nos EUA.

"A questão fundamental é que as regras antigas diziam que não podíamos promover o crescimento económico e proteger o nosso ambiente ao mesmo tempo, mas isto é a América, e nós criámos novas formas e novas tecnologias para derrubar as regras antigas", disse Obama.

O Keystone XL era a última fase de um gigantesco sistema de oleodutos com capacidade para transportar o equivalente a mais de 800.000 barris por dia desde a província de Alberta, no Canadá, ao estado do Texas, nos EUA. Três dos cinco oleodutos estão em funcionamento e um outro ficará concluído nos próximos meses, mas o último, o Keystone XL (que na prática serviria para encurtar uma distância já coberta por outro oleoduto, entre Alberta e o estado do Nebraska), fica assim por concretizar por decisão do Presidente Barack Obama.

Apesar de se ter tornado num símbolo das tensões entre o crescimento económico e as preocupações ambientais, os estudos do Governo federal dos EUA indicavam que o Keystone XL teria pouco impacto tanto na criação de empregos como no aumento de emissões.

"Durante anos, o oleoduto Keystone XL ocupou um lugar sobrevalorizado no nosso discurso político. Tornou-se num símbolo, muitas vezes usado como arma de campanha por ambos os partidos, em vez de ser um assunto sério sobre políticas. Tudo isto escondeu o facto de que este oleoduto não seria uma solução mágica para a economia, como alguns prometiam, nem uma auto-estrada para desastres ambientais, como outros proclamavam", disse Obama esta sexta-feira.

Ao longo dos últimos sete anos, desde que a empresa TransCanada Corp. pediu uma licença para construir um oleoduto entre a província de Alberta e o estado do Nebraska, os defensores do projecto disseram que seriam criados dezenas de milhares de postos de trabalho, mas a Administração Obama argumentou que o impacto seria negligenciável – cerca de 42.000 pessoas teriam trabalho apenas durante os dois anos da construção do oleoduto, 3900 de forma directa e os restantes de forma indirecta, em serviços de apoio como a restauração; e só 35 postos de trabalho seriam criados de forma permanente.

A decisão final de Obama é anunciada estrategicamente a poucas semanas da cimeira do clima, em Paris, e dias depois da eleição do novo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau – apesar de ter lamentado a decisão da Casa Branca, Trudeau estava longe de olhar para o oleoduto como um assunto essencial nas relações entre os dois países, como fez o seu antecessor, Stephen Harper.

Para além das reacções negativas de vários líderes políticos dos estados do Montana e do Nebraska (tanto do Partido Republicano como do Partido Democrata), o anúncio de Obama foi também criticado pela indústria dos combustíveis fósseis.

"Ele fez pouco dos mais de dois terços de americanos que defendem a redução das importações de energia a partir de países hostis; que apoiam a criação de emprego; que apoiam as relações amigáveis com os nossos vizinhos do Canadá; e que apoiam decisões baseadas na ciência e não na política", disse Michael Whatley, vice-presidente da Consumer Energy Alliance.

Esta decisão de Barack Obama pode ser revertida pelo futuro Presidente norte-americano, que será eleito em Novembro de 2016, mas isso só acontecerá se o vencedor for do Partido Republicano – a principal candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton (que é a favorita nas sondagens), já se manifestou publicamente contra a construção do Keystone XL, tal como o seu adversário mais forte nas primárias do partido, Bernie Sanders.