“Ficou a faltar só um bocadinho” para um cordão humano ligar a Lapa ao Rato

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O cordão humano tentou ligar o Parlamento às sedes do PS, PSD e CDS Nuno Ferreira Santos
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Nuno Ferreira Santos
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O objectivo do movimento “Compromisso Democrático” era “unir o que está dividido”. Para tal, nesta quarta-feira ao final do dia, juntou cerca de mil pessoas para ensaiar um cordão humano que ligasse o Parlamento às sedes do PS, PSD e CDS. Uma hora depois, a imagem que se pretendia não tinha sido atingida, apesar de a organização garantir que se tinha ficado perto. “Ficou a faltar só um bocadinho”, gritava um dos elementos ao microfone quando os participantes regressavam já à fachada do Parlamento para os discursos de encerramento. O grupo dos balões rosa ficou à entrada do Largo do Rato, sede do PS. O cordão dos balões laranja chegou à Lapa, mas sem atingir a rua da sede do PSD. E os do balão azul nem perto ficaram de chegar ao Largo do Caldas.

Ainda assim, em frente à Assembleia da República, não deixou de se falar em “momento histórico”. O porta-voz da iniciativa, Tomás Almeida, depois de apresentar o movimento como a “voz da sociedade civil”, afirmou que a manifestação era de quem não podia “aceitar o clima de insulto” entre os partidos e de quem acreditava num entendimento entre PSD, PS e CDS. “Ainda é tempo de compromisso, ainda é tempo de Portugal”. Antes, havia dito ao PÚBLICO que o que o movia era a premência de sair da “situação grave” em que o país mergulhara, e que “obrigava a que os portugueses se unissem”.

Esse “grupo de cidadãos que não vive da política mas do seu trabalho” queria que os partidos pusessem de lado as picardias e trabalhassem em conjunto para que o país pudesse “colher os frutos dos nossos sacrifícios”. Por mais de uma vez foi frisado o apartidarismo da iniciativa. Sibila Camal, uma das promotoras do movimento, falou no fim para se congratular. “A voz da sociedade civil ainda está viva.”

Entre os que aplaudiram estava Pinheiro Torres, ex-deputado social-democrata e um dos activistas que avançaram com a petição que fez a coligação alterar a lei do aborto já este ano. “Eu valorizo as iniciativas cívicas, gosto de ver esta malta nova a mexer-se”, disse ao PÚBLICO.

Não estava na organização mas quis comparecer porque se identificava “com isto”. Tal como os promotores não achava “inevitável” um governo de esquerda. “Há um PS profundo que tem uma história de tradição democrática. Esse outro PS pode ser que não consinta isto ao dr. António Costa”. O que pretendia Pinheiro Torres e o movimento era mesmo o que se via à frente do Parlamento. Aqueles balões laranja, rosa e azuis (as cores dos três partidos) presos por cordas uns aos outros, enquanto se cantava o hino de Portugal. Só que, num sinal premonitório, ainda antes do hino, um dos balões rosa soltou-se do baraço e, em poucos segundos, desapareceu no céu escuro da noite lisboeta.