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Romenos pedem demissão do primeiro-ministro após incêndio em discoteca

“A corrupção mata”, dizem alguns dos cartazes das 20 mil pessoas que saíram à rua em Bucareste. Há mais manifestações previstas para os próximos dias.

Polícia romeno acrescenta o seu tributo ao memorial junto à discoteca
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Polícia romeno acrescenta o seu tributo ao memorial junto à discoteca DANIEL MIHAILESCU/AFP

Milhares de pessoas saíram à rua para protestar contra o Governo e exigir a demissão do primeiro-ministro Victor Ponta, por causa do incêndio numa discoteca de Bucareste, ao ser usado fogo-de-artifício, que fez já 32 mortos e deixou pelo menos 184 pessoas feridas, muitas em estado grave.

“A corrupção mata”, dizem os cartazes que empunhavam algumas das cerca de 20 mil pessoas que desfilaram nas ruas de Bucareste, denunciando a forma como as autoridades passam autorizações para que discotecas e outros estabelecimentos possam abrir portas, e como não há uma verdadeira inspecção da forma como funcionam. “Assassinos”, cantavam ritmicamente.

O protesto alastrou às cidades de Brasov e Ploiesti, na Roménia Central. Mas, através do Facebook, estão a ser convocados outras manifestações para os próximos dias, em vários outros locais.

O incêndio na discoteca Colectiv, na sexta-feira à noite, foi um dos piores deste género na Roménia. As chamas deflagraram quando os efeitos pirotécnicos usados por uma banda rock incendiaram o tecto, que não era à prova de fogo. As cerca de 400 pessoas que estavam a assistir ao concerto na cave, que apenas tinha uma saída, precipitaram-se para a porta. Além de fogo, houve um esmagamento.

Os manifestantes exigem agora a demissão do primeiro-ministro Victor Ponta – que está a ser alvo de uma investigação por corrupção – e do seu vice-primeiro-ministro Gabriel Oprea, bem como do presidente do município onde fica a discoteca.

À porta da discoteca, há milhares de velas e flores, em memória das vítimas. Dadores fazem fila para doar sangue em centros de recolha e há voluntários que estão a levar comida e bebidas aos hospitais de Bucareste para o pessoal médico e para as famílias das vítimas. A tragédia mobilizou de facto a população.

Foi emitido um mandado de captura para 30 dias de prisão preventiva para os três proprietários da Colectiv, que tinham já sido detidos na segunda-feira sob a acusação de homicídio involuntário. “Só posso manter a cabeça baixa até ao julgamento. Lamento imensamente o que aconteceu”, afirmou o proprietário Costin Mincu no Facebook, através do seu advogado.

O Governo aprovou esta terça-feira nova legislação que permite às autoridades encerrar imediatamente estabelecimentos que não tenham autorização para estar abertos, que não tomem medidas de segurança ou não cumpram o limite de entradas.

E logo que começou a manifestação em Bucareste, o primeiro-ministro anunciou que tinha despedido o responsável da agência de protecção dos consumidores, por não ter vigiado de forma adequada a discoteca Colectiv.

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