Portuguesa Uniplaces angaria 22 milhões de financiamento

Plataforma de alojamento para estudantes universitários conseguiu este ano dez milhões de euros em contratos para os senhorios. Novo investimento é encabeçado por fundo que pertence a um dos fundadores do Skype.

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A Uniplaces lista alojamentos em várias cidades europeias e quer continuar a expansão Daniel Rocha

A Uniplaces, uma plataforma portuguesa que permite a estudantes universitários encontrarem alojamento online, angariou cerca de 22 milhões de euros numa ronda de investimento, de longe a maior desde que a empresa foi lançada, em 2012.

O novo investimento é encabeçado pelo fundo Atomico, do co-fundador do Skype Niklas Zennstrom. Participam ainda a Caixa Capital (da Caixa Geral de Depósitos) e o fundo português Shilling Capital Partners, bem como o britânico Octupus, que reforça assim a aposta na empresa, uma vez que já no ano passado tinha liderado uma ronda de 2,8 milhões de euros.

A empresa não divulgou a percentagem de capital que vendeu aos investidores. O co-fundador Miguel Santo Amaro disse tratarem-se dos “valores habituais” para este tipo de operação, falando de um intervalo “entre os 15% e os 25%”. Entre uma série de outros investidores de menor dimensão que também participaram estão os portugueses Henrique de Castro (o ex-director de operações do Yahoo que foi despedido com uma indemenização multimilionária) e António Murta (do fundo Pathena).

O anúncio do investimento foi feito nesta terça-feira, em Dublin, onde decorre a Web Summit, uma conferência de grandes dimensões dedicada a empreendedorismo tecnológico, que nos próximos três anos será realizada em Lisboa.

A Uniplaces opera actualmente em várias cidades na Europa, entre as quais Lisboa, Madrid, Londres, Berlim e Amsterdão, onde tem alojamentos que vão de apartamentos a quartos em residências. Este ano, diz ter sido responsável por contratos no valor de dez milhões de euros para os senhorios.

Para além de mediar o processo com os senhorios, a empresa faz uma verificação de alguns dos alojamentos listados para garantir que correspondem à descrição e tem também serviços de apoio aos estudantes durante o processo. Os planos passam agora por alargar a presença internacional e por disponibilizar novos serviços associados, tanto a estudantes, como a proprietários, explica Miguel Amaro, que criou a plataforma com dois colegas que conheceu quando estudava em Inglaterra. Um dos objectivos é “consolidar na Europa” e ter alojamentos nos EUA no final do próximo ano, um dos países onde – a par do Brasil e China – a Uniplaces já está a desenvolver parcerias para poder alojar estudantes que queiram vir para a Europa.

A estratégia, no entanto, é fazer com que a Uniplaces preste vários serviços para lá da procura de alojamento, com a meta de ser uma plataforma que facilite a mudança de estudantes para um país estrangeiro – isto pode ir de disponibilizar mapas da cidade a ajudá-los com questões bancárias ou relacionadas com telecomunicações. “A ideia é estarmos sempre presentes, acompanharmos os estudantes”, diz o fundador.

Já do lado dos senhorios, a empresa pretende também oferecer serviços para facilitar a gestão das propriedades e a comunicação entre proprietários e estudantes. Recentemente, lançou um serviço que garante o pagamento da renda em caso de incumprimento.

A Uniplaces foi incubada na Startup Lisboa e tem sede no Bairro Alto, uma zona histórica da capital portuguesa. Faz parte da vaga de startups que surgiram nos anos recentes em Portugal, um período caracterizado tanto por níveis de desemprego elevado, como por um crescimento do empreendedorismo nas áreas das tecnologias de informação. Parte dos 22 milhões de euros serão usados para aumentar a equipa, actualmente com 120 pessoas. Miguel Amaro diz que o plano é “tentar erguer tudo isto a partir da base em Lisboa”.

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