Mundos Paralelos de Philip Pullman vão ser série de TV

Trilogia de fantasia His Dark Materials adaptada pela BBC com a bênção do criador de Lyra, que acredita que a TV dá tempo, "profundidade na caracterização e elevação no suspense".

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Philip Pullman Kieran Doherty/REUTERS
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Nicole Kidman como Sra. Coulter no filme de Chris Weitz DR
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Philip Pullman DR
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Lyra em A Bússola Dourada DR
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Daniel Craig como Lord Asriel em A Bússola Dourada DR

Uma das trilogias de fantasia mais reconhecidas do mundo, os Mundos Paralelos de Philip Pullman – ou, no original, o tríptico His Dark Materials – vai ter uma nova oportunidade de transposição para os ecrãs. A BBC vai adaptar a história de Lyra e do seu “génio” Pantalaimon para televisão numa série com oito episódios na esteira de fenómenos como Guerra dos Tronos e pelas mãos do mesmo estúdio que a deixou pelo caminho no cinema.

Os três livros – A Bússola Dourada, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, editados em Portugal pela Presença – são os títulos mais populares do currículo de Pullman, autor de obras tão distintas quanto a crítica religiosa de Jesus, o Bom, e Cristo, o Patife (2010) ou o infantil Já Fui um Rato! (1999). Depois de livros blockbuster do reino da fantasia como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis terem sido êxitos no cinema, a New Line tentou passar a sua Bússola Dourada da página para o grande ecrã em 2007.

Com sucesso limitado, apesar das estrelas protagonistas – Nicole Kidman como a Sra. Coulter e Daniel Craig como Lord Asriel -, o filme teve 70 milhões de dólares de receita de bilheteira e crítica tépida. A aventura de Lyra num mundo rico povoado pelo fantasma do totalitarismo e por conceitos da física, psicologia, religião e história ficaria por terminar em Hollywood. Agora, a New Line Cinema volta à carga. Mas na televisão, essa paisagem cada vez mais povoada e com cada vez mais géneros diferentes (e arriscados) de narrativa, que vai tentar novamente agarrar os tentáculos do Magisterium (no centro da intriga, é uma organização que se comporta como uma igreja controladora de corpos e almas).

“Nos últimos anos temos visto histórias longas na televisão, quer sejam adaptações (Guerra dos Tronos) ou originais (Os Sopranos, The Wire) que atingem uma profundidade na caracterização e uma elevação no suspense por darem tempo para os acontecimentos terem o seu devido impacto e para as consequências se desenrolarem”, comenta Pullman em comunicado sobre o contexto em que autorizou esta nova adaptação da sua obra. (Mundos Paralelos já existe enquanto novela gráfica, como peça radiofónica ou de teatro, “uma constante fonte de prazer” para o seu autor, que será também produtor executivo da série televisiva).

A New Line vai estrear-se na produção televisiva com esta adaptação, escreve esta terça-feira a revista especializada Hollywood Reporter, voltando ao filão que tinha começado a explorar mas apoiando-se na BBC One e associando-se à produtora britânica e americana Bad Wolf. A série vai ser produzida no País de Gales, relata por seu turno a Variety, e a produtora da Bad Wolf Jane Tranter (ex-BBC) deixa mesmo a porta aberta não só para esta primeira encomenda de oito episódios mas também para “muitos episódios e temporadas”.

 A trilogia Mundos Paralelos é tida como uma das mais importantes séries de romances para jovens adultos e retrata um universo em que há aparelhos mágicos (o aletiómetro, uma espécie de bússola no aspecto, mas muito diferente nas suas capacidades), partículas elementares (o enigmático Pó), animais falantes, génios que são manifestações das almas ou espíritos de cada um e passagens para outros mundos. Pullman já recebeu o Astrid Lindgren Memorial Award (o Nobel da literatura infantil, em 2005) e o prémio Carnegie of Carnegies (2007). Desde a sua publicação em 1995, os livros foram traduzidos em mais de 40 línguas e foram vendidos cerca de 17,5 milhões de exemplares em todo o mundo.