Dom La Nena “mais acústica e mais minimalista” com a ajuda de Marcelo Camelo

Dom La Nena, a cantora e violoncelista brasileira, tem um novo disco, Soyo. Esta terça-feira toca em Coimbra e depois em Lisboa, no CCB, no âmbito do Misty Fest (dia 4, às 21h).

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No palco, Dom La Nena toca sozinha os vários instrumentos JEREMIAH

Portugal já a ouviu mais do que uma vez, a solo (na primeira parte de concertos de Rodrigo Leão) ou em parcerias com o grupo de concertinas Danças Ocultas. Mas Dom La Nena tem um disco novo, Soyo, acabado de lançar, e é essa novidade que a traz de volta. Hoje em Coimbra, no Salão Brazil, e amanhã em Lisboa, no Misty Fest (CCB, às 21h).

Violoncelista, cantora e compositora, Dom La Nena (nome artístico de Dominique Pinto) nasceu no Brasil, em Porto Alegre, a 28 de Julho de 1989, filha de um professor de filosofia e de uma psicanalista, ambos amantes de música. Começou a estudar piano aos 4 anos, adorou a experiência, mas aos 8 anos quis exercitar-se num novo instrumento: E teve, aqui, incentivo de um professor da sua escola. Começou a aprender violoncelo pelo método Suzuki, mudou-se para Paris, onde estudou no Conservatório, voltou ao Brasil, conseguiu continuar a estudar violoncelo em Buenos Aires e quando regressou a Paris, aos 18 anos, foi convidada a tocar com cantores como Jane Birkin ou Étienne Daho.

O seu primeiro disco, Ela, foi gravado em Paris em 2012. E já o gravou como La Nena, alcunha que ganhou no conservatório argentino: a bebé, a miúda. Assim, Dominique (nome que em Paris faria mais sentido) passou a Dom La Nena e foi trocando a música clássica (“para mim era impossível pensar em tocar sem partitura”) pela música popular.

O seu segundo disco, o que agora nos traz, chama-se Soyo (abreviatura de “soy yo”, que assim escrita parece um nome japonês) e foi produzido por ela e por Marcelo Camelo, músico brasileiro que, curiosamente, só conheceu pessoalmente em Portugal, apesar de já ter uma grande admiração pelo seu trabalho. “Conversando com o meu produtor sobre parcerias, achei que seria incrível fazer alguma coisa com o Marcelo neste disco. Porque é um dos artistas da nova geração da música brasileira que eu admiro mais.” Foi certeiro: o produtor conhecia-o, Marcelo estava a mudar-se para Portugal nessa altura com Mallu Magalhães (formaram juntos a Banda do Mar, com o português Fred Pinto Ferreira). Dom foi-lhe apresentada assim, e foi como se já fossem amigos há muito tempo. “As coisas foram muito rápidas, uns meses depois a gente estava gravando.” Em Portugal, apesar de Dom morar em Paris (algumas coisas foram gravadas lá, no estúdio dela).

Compor e gravar em Lisboa
“O meu primeiro impulso era para uma coisa mais acústica e mais minimalista. E ele foi fundamental nisso.” Algumas canções já vinham do tempo do disco anterior, Ela. “Há talvez uns três anos de diferença entre elas. Algumas escrevi aqui em Lisboa, antes de lançar o Ela. Passei dois meses vivendo aqui e aqui escrevi Lisboa, Juste une chanson e outras que não entraram no disco.” Outras ainda foram escritas em lugares distintos: São Paulo, África do Sul. E numa mistura de idiomas: português, espanhol, francês, inglês.

No palco, vão ouvir-se vários instrumentos mas não esperem encontrar outros músicos para além dela. “Toco tudo sozinha. Eu queria construir as músicas como fiz no estúdio. Faço um loop de violoncelo, outro de bateria, depois escolho o instrumento com que fico. É preciso muito treino, mas é possível.”

Quem quiser seguir o Misty Fest tem, nos próximos dias, muito por onde escolher: Mayra Andrade (4 no Coliseu do Porto, 5 no CCB, em Lisboa; 7, Figueira da Foz, CAE), Dead Combo (6, CCB), Rui Massena (6, Vila do Conde; 14, Aveiro), Maria Mendes (6, CCB; 7, Casa da Música, Porto), Mísia (6, Aveiro; 14, Lisboa, São Jorge), Lenine (7, CCB; 10, Casa da Música) e a Cinematic Orchestra (7, Braga; 8, CCB; 9, Casa da Música).