O estudo do Youthonomics quer pôr gerações a discutir os perigos de não solidariedade Pixabay
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O estudo do Youthonomics quer pôr gerações a discutir os perigos de não solidariedade Pixabay

Eis os melhores (e os piores) países do mundo para os jovens

Nem muito bom nem muito mau. Numa lista de 64 países, Portugal aparece em 30.º lugar. Se tens menos de 25 anos, o melhor país para viveres é a Noruega

Pior do que Noruega, Suíça ou Dinamarca. Pior do que Malásia, Coreia do Sul ou Chile. Melhor do que Espanha, Grécia ou Brasil. O Youthonomics avaliou 64 países, de vários continentes, em busca do melhor sítio para pessoas com menos de 25 anos. Portugal surge no meio da tabela, num 30.º lugar. Educação, emprego, saúde — o "ranking" teve em conta 59 indicadores que têm um impacto significativo nas condições de crescimento e formação. "A crise deixa economias europeias atrás de muitas economias em desenvolvimento com altos rendimentos."

Há cerca de três anos, o agora co-fundador do Youthonomics Felix Marquardt publicou uma série de críticas à França — dizendo que aquele não era um país para jovens: "Não há habitação para os pessoas jovens em França. E a única forma de fazer os políticos ouvirem os mais novos é abandonando o país", sugeriu. Nem todos apreciaram o estudo e as críticas rapidamente se fizeram ouvir. Foi então que Marquardt decidiu alargar a análise a outros países: com dados de organizações como a UNESCO, o Banco Mundial e a OCDE, a equipa do Youthonomics — da qual faz também parte o ex-presidente de Timor Leste, Ramos-Horta — avaliou, desta feita, mais de seis dezenas de nações. 

Como era expectável, são os países desenvolvidos os campeões do "ranking" desta organização focada em apoiar jovens, com os nórdicos a ocuparem os lugares mais honrosos. O melhor país para jovens com menos de 25 anos é mesmo a Noruega — e os portugueses parecem também já o ter percebido. Mas a Dinamarca (3.º lugar), Suécia (4.º) e Finlândia (8.º) ocupam também lugares interessantes. A medalha de prata vai para a Suíça, que na Europa central é acompanhada nos bons resultados pela Holanda (5.º), Alemanha (7.º) e Áustria (9.º). No fundo da tabela, aparecem o Brasil, o Uganda, o Mali, a África do Sul e a Costa do Marfim.

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O estudo do Youthonomics quer pôr gerações a discutir os perigos de não solidariedade entre os mais velhos e os mais novos: o que poderá acontecer se o conhecimento não for transmitido de uns para outros? E que oportunidades estão reservadas para os mais jovens? Conseguir um bom resultado neste "ranking" não é possível através de nenhuma fórmula mágica. Mas há dois pontos que para Felix Marquardt são fulcrais: se o país está disposto a transformar-se e tornar-se apelativo para os jovens e se é economicamente capaz de o fazer — apesar de a riqueza, por si só, não determinar uma classificação elevada. "Por exemplo, aos jovens suecos é oferecida a oportunidade de tirar um ano sabático para explorar diferentes profissões e países", disse ao Washington Post. "Além disso, a Noruega e a Suécia partilham dados de desemprego. Se há um emprego por preencher na Suécia, os jovens noruegueses podem ser pagos para ir para lá ocupar essa posição."

Portugal é, a par da Itália (32.º lugar), Grécia (36.º) e Espanha (37.º), um dos apontados como vítimas da crise económica. E, para estas posições, muito contribui a dificuldade de acesso ao emprego — num "ranking" centrado apenas nesse ponto, Espanha aparece no último lugar, acompanhado no fundo da tabela por Portugal (57.º), Itália (59.º) e Grécia (62.º). Por outro lado, Portugal pode gabar-se de estar no top 10 quando o indicador é o bem-estar: Holanda, Espanha e Dinamarca ocupam o pódio, seguidos por Itália, Alemanha e Portugal. Também no que a condições de trabalho e de vida diz respeito, os lusos não ocupam um lugar desonroso, com um 19.º posto.

O Reino Unido, país que mais emigrantes portugueses recebe, ocupa a 16.º posição no "ranking" geral, sendo assim ultrapassado pelos Estados Unidos da América (13.º). Países considerados "ricos", como a França (19.º), a Bélgica (17.º) e o Japão (26.º), tiveram "maus resultados" tendo em conta os níveis de desenvolvimento económico. As grandes economias em desenvolvimento — como o Brasil, a Rússia, o Egipto ou a África do Sul — saem particularmente mal na fotografia. Já a China acaba por ser uma surpresa, ocupando um lugar abaixo de Portugal (31.º) e conseguindo ultrapassar, por exemplo, a Espanha.