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Estas são histórias de abuso sexual no exército

Natasha Schuette, 21, exército, vítima de violação
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Natasha Schuette, 21, exército, vítima de violação

A fotógrafa americana Mary F. Calvert acompanhou durante dois anos uma série de mulheres que têm em comum o facto de terem sido afastadas de funções militares que exerciam e de terem sido, em contexto profissional, vítimas de violação por parte de superiores hierárquicos. A autora de "The Battle Within: Sexual Assault in America's Military: The survivors" conversou com o P3 e expôs os factos, dando a conhecer as suas histórias. Natasha, Britanny, Melissa, Kate, Connie, Tifanny, Elisha, Virginia, Jessica, Jennifer e Carrie foram os casos que documentou. O síndrome de stress pós-traumático é, nestas mulheres, uma consequência directa do abuso sexual e da posterior retaliação por parte dos colegas e instituição quando o caso é tornado público. Por este motivo, muitas são as que preferem guardar silêncio e manter-se em funções, convivendo diariamente com o agressor que não raras vezes repete a ofensa. "Eles sabem escolher as suas presas", disse Calvert em entrevista ao P3. "Existem duas formas de retaliação: a mais simples é quando os teus pares te maltratam e te isolam do grupo. A segunda forma é quanto a própria instituição te afasta, argumentando que tens um distúrbio de adaptação, o que significa que já tinhas um problema mesmo antes de te alistares no exército.” Carrie Goodwin é um exemplo do que pode acontecer em situações limite. Os próprios familiares desconheciam a violência sexual e psicológica a que tinha sido exposta e foram incapazes de intervir no sentido de impedir o seu suicídio. As vítimas, segundo Calvert, “passam anos mergulhadas em vergonha e medo, o que vai devorando as suas vidas: muitas acabam por desenvolver dependência de álcool ou drogas, por se tornarem sem-abrigo ou cometerem suicídio”. O problema está na mira da Human Rights Watch, que publicou em Maio de 2015 um relatório que concerne o problema da retaliação contra as vítimas que expõem publicamente as agressões, onde pode ler-se que é imperativo que “ninguém seja forçado a escolher entre reportar um caso de violação e permanecer no exército”. Ana Marques Maia

Natasha Schuette, 21, Exército, vítima de violação
Natasha Schuette, 21, vive em isolamento. Construiu uma estufa nas traseiras de sua casa
Britanny Fintell, Marinha, vítima de violação
Melissa Bania protestou diante da instituição onde o seu agressor sexual mantém funções
Kate Weber sofre de stress pós-traumático, o que se reflecte no comportamento do filho
Connie Sue foi afastada do exército e sofre de stress pós-traumático
Tiffany Berkland e Elisha Morrow foram abusadas pelo mesmo oficial e apresentaram queixa
Virginia Messic apresentou queixa-crime e o seu agressor foi condenado a 20 anos de prisão
Jessica Hinves foi violada por superior hierárquico e persuadida a não apresentar queixa
Jennifer Norris foi drogada e abusada sexualmente por superior hierárquico na Força Aérea
O pai de Carrie segura o diário da filha no aniversário do seu suicídio
Os pais de Carrie desconheciam as agressões de que foi vítima
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