Mais de 60 elefantes mortos em parque no Zimbabwe

Autoridades atribuem responsabilidades a caçadores furtivos, mas há quem afirme que terão sido os próprios rangers a matar os animais como forma de protesto pela sua situação salarial.

Os animais foram encontrados decapitados ou envenenados
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Os animais foram encontrados decapitados ou envenenados REUTERS/Stringer

Pelo menos 62 elefantes foram mortos por decapitação ou envenenamento com cianeto durante o último mês no Hwange National Park, no Zimbabwe, o mesmo onde foi morto o leão Cecil. O jornal Telegraph indica que na origem destes casos estão problemas salariais dos funcionários do parque, que agiram em protesto, uma explicação oficial aponta responsabilidades a caçadores furtivos.

O Hwange National Park é o maior parque natural do Zimbabwe, com cerca de 14.650 quilómetros quadrados. É conhecido pelas mais de 100 espécies de mamíferos e perto de 400 de pássaros que ali vivem. O parque tem ainda a maior população de elefantes do mundo, estimando-se actualmente em 53.000 o número destes animais, o dobro do que está previsto albergar no Hwange.

Nos últimos meses têm sido confirmadas as mortes de dezenas de elefantes. Uma das informações mais recentes, avançada pela Zimbabwe National Parks and Wildlife Management Authority, a autoridade que gere os parques naturais do Zimbabwe, indicava que 22 tinham sido mortos no Hwange com cianeto colocado em laranjas e pequenas salinas, elevando para 62 os que morreram em Outubro.

As primeiras suspeitas para as mortes recaíram sobre caçadores furtivos, depois de rangers do parque terem encontrado carcaças de elefantes na área de Sinamatella. Caroline Washaya-Moyo, porta-voz do Zimbabwe National Parks, afirmou à AP que, “mais uma vez, tratou-se de envenenamento com cianeto”.

Segundo a responsável, caçadores furtivos terão conseguido levar três presas de marfim, estando ainda a ser confirmado quantos dos elefantes que tinham presas desenvolvidas foram mortos. Entre estes animais estão também crias.

“A média de animais que estamos a perder devido ao cianeto é alarmante. Muitas outras espécies estão também a morrer devido ao cianeto usados pelos caçadores furtivos destinado aos elefantes”, acrescentou Washaya-Moyo.

Os primeiros casos de elefantes mortos surgiram no início de Outubro, com três incidentes distintos que levaram à morte de 40 animais por envenenamento. Agora morreram mais 22 elefantes no parque. Fotografias mostram várias carcaças decapitadas às quais foram retiradas as presas, que colocadas ao lado dos corpos, alguns deles com outras partes mutiladas.

A porta-voz do Zimbabwe National Parks atribui, para já, as mortes a caçadores furtivos, mas fontes ligadas à conservação ambiental, não identificadas pelo jornal britânico Telegraph, indicam que os elefantes foram mortos por rangers descontentes com a sua situação salarial e como forma de protesto.

O baixo número de presas levadas após as mortes levanta a suspeita de que terão sido os rangers os autores da chacina e não caçadores furtivos, que na maioria dos casos matam estes animais pelo seu marfim.

Segundo as mesmas fontes citadas pelo Telegraph, os rangers arriscam diariamente as suas vidas para proteger os animais do parque dos ataques de caçadores e são mal pagos pelo seu trabalho. Actualmente, a autoridade que gere os parques naturais do Zimbabwe não tem financiamento do governo e funciona com base nas verbas que são pagas pelos bilhetes e pelo alojamento de turistas e caçadores legais. O jornal britânico avança que muitos dos funcionários dos parques só agora receberam os salários de Setembro e que não existem fundos para pagar o combustível para alimentar as bombas que captam água para os animais.

Um de dois rangers detidos recentemente por envenenarem elefantes ganha cerca de 390 euros por mês. As presas de apenas um elefante podem chegar a dez quilos de marfim, que, segundo os actuais valores de mercado, podem atingir 26.500 euros.

“Muitos de nós acreditam que alguma da caça feita neste momento foi organizada e executada por alguns rangers e não sabemos como isto será resolvido”, disse uma fonte do Zimbabwe National Parks ao Telegraph.

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