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Roman Polanski não vai ser extraditado, decide tribunal polaco

Juiz polaco considerou "inadmissível" a extradição do cineasta para os Estados Unidos.

O realizador em Fevereiro com os seus advogados
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O realizador em Fevereiro com os seus advogados Reuters
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O juiz Dariusz Mazur no momento em que anuncia aos jornalistas a sua decisão AFP
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Os advogados de Polanski. Jan Olszewski lê um documento AFP
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Samantha Geimer diz já ter perdoado o realizador pelo que aconteceu em 1977 Reuters
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Polanski em 1977 à saída do tribunal Reuters

Mais um pedido de extradição e mais uma nega. O realizador Roman Polanski não vai ser extraditado para os Estados Unidos. Esta foi a decisão anunciada nesta sexta-feira pelo juiz polaco Dariusz Mazur. Foi no início do ano que o pedido da justiça norte-americana, pela condenação de abusos sexuais a uma menor em 1977, deu entrada num tribunal de Cracóvia, na Polónia.

“O tribunal concluiu que é inadmissível a extradição para os Estados Unidos do cidadão polaco e francês Roman Polanski”, disse aos jornalistas no final da sessão o juiz Dariusz Mazur, citado pelo The Guardian. Embora o realizador, de 82 anos, se tivesse apresentado em tribunal logo na primeira sessão, em Fevereiro, nesta sexta-feira, dia da decisão final, Polanski optou por não comparecer. “Razões emocionais” foram evocadas por um dos advogados do cineasta, Jan Olszewski.

O realizador de O Pianista – que lhe valeu um Óscar, além da Palma de Ouro de Cannes – está actualmente na Polónia a rodar o seu próximo filme sobre o caso Dreyfus, um escândalo político que dividiu a França durante muitos anos no final do século XIX. Em Outubro, a justiça polaca já tinha recusado o pedido de detenção feito pelos Estados Unidos, decidindo analisar o pedido de extradição.

Vários analistas polacos e correspondentes de meios de comunicação na Polónia acreditavam ser pouco provável que o pedido de extradição fosse aceite. Isto porque Roman Polanski foi criado em Cracóvia e é muito admirado na Polónia, apesar de a sua principal residência ser em França – nasceu em Paris. Polanski tem dupla nacionalidade, como evidenciam as palavras do juiz. Na Polónia, o realizador é tido como um dos maiores artistas vivos daquele país.

A lei francesa proíbe a extradição dos seus cidadãos mas a lei polaca não. Segundo a BBC, o veredicto é agora susceptível de recurso no prazo de sete dias. Do lado da justiça norte-americana, porém, ainda não houve nenhuma reacção.

Este poderá assim ser o fim de uma história que se arrasta há anos e que obrigou o realizador a nunca mais voltar aos Estados Unidos, nem mesmo em 2003 para receber o Óscar de Melhor Filme. O pedido de extradição existe porque em 1977, Polanski se declarou culpado de ter tido relações sexuais com uma adolescente de 13 anos durante uma sessão fotográfica em Los Angeles. A rapariga é Samantha Geimer, que em 2013 decidiu escrever um livro sobre o caso.

Polanski foi condenado à revelia em 1978 por um tribunal de Los Angeles. Passou 42 dias na prisão. Fugiu dos Estados Unidos no ano seguinte por temer voltar a ser preso e nunca mais voltou. Hoje com 52 anos, Geimer admite já ter perdoado o realizador.

Em Setembro de 2009, o realizador foi detido em Zurique a pedido das autoridades judiciais norte-americanas, e permaneceu sob prisão domiciliária no seu chalet de Gstaad, na Suíça, até Julho de 2010, quando o Governo suíço rejeitou o pedido de extradição e o declarou um homem livre.

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