Costa avisa Passos: PS vai procurar governo alternativo

"O que nos separa não são lugares no governo, que recusámos desde o início, ou o relacionamento pessoal, mas a imperiosa necessidade do país e a soberana vontade dos portugueses de uma reorientação de política", escreve o líder socialista.

Foto
Francisco Leong/AFP

O secretário-geral do PS, António Costa, aproveitou a sua resposta à última iniciativa do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, para deixar claro que o PS vai prosseguir na busca de um governo que garante uma “reorientação política” e que nunca esteve nos seus planos fazer parte de um governo de coligação com o PSD.

A carta de Costa serve para enumerar as críticas do PS à coligação, em relação ao processo negocial, ao mesmo tempo que deixa no ar, explicitamente, uma ameaça ao PSD e CDS. “Por fim, reafirmo-lhe que, responsavelmente, o PS procurará assegurar as melhores condições de estabilidade e governabilidade que garantam esta reorientação, no quadro plural da nova representação parlamentar.” Ou seja, o líder socialista anuncia que a sua linha de orientação para os próximos meses não passa por um entendimento com a coligação.

Mas Costa esclarece ainda o seu posicionamento sobre a principal novidade da carta de Passos Coelho, enviada este domingo. Agora, António Costa fecha, categoricamente, a porta a um governo de Bloco Central. “O que nos separa não são lugares no governo, que recusámos desde o início, ou o relacionamento pessoal – bastante cordial, devo reconhecê-lo – mas a imperiosa necessidade do país e a soberana vontade dos portugueses de uma reorientação de política, que persistem em não aceitar”, escreve numa carta enviada ao presidente do PSD.

Há meses que o líder socialista insiste na ideia de que um governo com PSD e PS seria nocivo para a democracia portuguesa, por entender ser mais salutar a existência de uma alternativa clara no espectro político português.

O socialista utiliza também a carta para retomar as críticas à direita. "Aguardámos um documento que finalmente nos enviou em 12 de Outubro e que pudemos apreciar longamente na reunião de 13 de Outubro, conforme sintetizei por escrito na minha carta de 16 de Outubro, expondo a reorientação política que no nosso entendimento traduz a vontade dos portugueses expressa não só em bases programáticas, como também em medidas concretas. Em vez de, como fizemos, analisar a minha carta, identificando os pontos de concordância e discordância, porventura até parcial, [Passos Coelho] limita-se a rejeitá-la em bloco, com o extraordinário argumento de serem as bases programáticas e as medidas constantes do programa do PS", critica o secretário-geral socialista.

Depois disso, sinaliza a disponibilidade para receber mais informação que tinha solicitado antes. “Nada mais posso acrescentar, para além de insistir na necessidade de nos ser disponibilizado integralmente o conjunto de informação financeira que oportunamente solicitámos e que só foi parcialmente respondido.”