Rio à espera de um sinal de Passos para avançar para Belém

Ex-presidente da Câmara do Porto deve anunciar dentro de dias a sua decisão. Já Marcelo Rebelo de Sousa diz que “está ponderado o que havia a ponderar”.

 Rui Rio defendeu que as autarquias deviam pagar, de forma repartida, o que fosse gasto na reavaliação dos prédios urbanos
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Rui Rio ainda não desfez o tabu Fernando Veludo/NFactos

Rui Rio está à espera de um sinal do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, para anunciar por estes dias a sua decisão sobre uma eventual candidatura à Presidência da República em Janeiro de 2016.“A estabilidade governativa passa muito pela Presidência da República e é isso que tem de ser medido nos próximos dias pelos partidos”, declarou ao PÚBLICO fonte próxima do ex-autarca, sublinhando que o “partido tem de reflectir sobre as presidenciais e tomar uma decisão e a decisão não é bem apoiar quem quer que seja, mas sim aquele que pode dar garantias de estabilidade a um Governo que vai governar sem maioria absoluta”.

O ex-presidente da Câmara do Porto, que foi secretário-geral do PSD quando Marcelo Rebelo de Sousa liderava os sociais-democratas, está a jogar tudo na estabilidade do futuro Governo, que saiu das eleições legislativas de domingo sem maioria absoluta, mas esta atitude está longe de ser consensual junto de alguns apoiantes que integram o seu núcleo duro, que dizem que Rui Rio “deixou esticar o prazo até ao limite do insuportável”.

A maioria relativa obtida pela coligação Portugal à Frente retira margem de manobra ao presidente do PSD para impor um candidato presidencial, mas ao mesmo tempo Passos sabe como é importante ter em Belém um Presidente que garanta a estabilidade governativa tão necessária na nova legislatura.

O nome do ex-autarca do PSD é falado na coligação para ocupar a pasta do Ministério da Administração Interna, mas fontes próximas de Rio negam qualquer convite e falam mesmo de contra-informação. “Isto tem um único objectivo que é retirar Rui Rio da corrida presidencial e deixar o palco a Marcelo Rebelo de Sousa”, acrescenta a mesma fonte.

O professor de Direito disse esta semana que “está ponderado o que havia a ponderar”, mas não esclareceu em que sentido ponderou, como ontem sublinhava Carlos Carreiras, presidente da concelhia do PSD de Cascais. O também presidente da Câmara de Cascais não quer trazer para a agenda mediática o tema das presidenciais enquanto o processo das legislativas não estiver encerrado, mas adianta que os “os dois próximos dias serão esclarecedores para os dois partidos da maioria” em matéria de eleições presidenciais.

Aliás, o tema das presidenciais deverá estar plasmado no acordo de governo que PSD e CDS assinam esta quarta-feira de manhã. Como a coligação não teve maioria absoluta, Paulo Portas considera decisivo eleger um Presidente da República da sua família política e vê em Marcelo o candidato ideal.

Enquanto Marcelo agita as hostes, o ex-presidente da Câmara do Porto mantém o silêncio, que, contudo, não pode manter-se por muito mais tempo. Há um mês, prometeu, num artigo publicado no Jornal de Notícias, anunciar uma decisão depois das eleições legislativas e o timing não poderá prolongar-se por muito mais tempo. Rio explicava o “equívoco das sucessivas datas que foram noticiadas sobre a sua vontade de concorrer ao Palácio de Belém e garantia que a candidatura, a confirma-se, nada tem de “táctico”.

Ao que o PÚBLICO sabe, os apoiantes de Rui Rio reuniram-se esta terça-feira à tarde, no Porto, para fazer o ponto da situação relativamente à candidatura presidencial, porque entendem que “cada dia que passa, o caminho fica mais estreito”.

Alguns dos seus conselheiros preparavam-se para pôr em causa a estratégia que foi seguida e que pode comprometer definitivamente a candidatura presidencial. Não entendem por que é que Rio não optou por anunciar a sua decisão em Junho/Julho, apesar de ter sido muito pressionado por algumas figuras de peso do PSD, optando por adiar essa decisão para Outubro, quando já se sabia que este era o tempo de Marcelo.

Seja como for, Rui Rio “tem reunido com muita gente e em Lisboa tem muitos apoios”, garante um dos seus conselheiros, que não deixa de lamentar que na reunião desta terça-feira, marcada para o final do dia, não estivessem presentes “os pesos pesados do PSD”.