Editorial

Um é incidente, dois é provocação

São cada vez mais os países a juntarem-se aos EUA e à coligação de países árabes para combater, através de ataques aéreos, o autoproclamado Estado Islâmico. A Itália já pondera aliar-se às missões de bombardeamento no Iraque, numa altura em que a entrada da Rússia no conflito da Síria, supostamente para combater os mesmos jihadistas, veio baralhar ainda mais a coordenação e a definição dos objectivos dos ataques. E os incidentes com aviões russos, que terão por duas vezes violado o espaço aéreo turco, estão a azedar as relações entre Erdogan e Putin. O mesmo Erdogan que está a torcer o nariz à investida russa, já que poderá colocar em xeque a intenção de Ancara de derrubar al-Assad e criar de uma zona tampão a Sul. Isto numa guerra onde os que estão do mesmo lado não têm necessariamente os mesmos objectivos. E qualquer incidente pode ser visto como uma provocação e assumir proporções assustadoras.