Costa à espera do atoleiro da coligação, seguristas com pressa para clarificação

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O filme dos acontecimentos no Hotel Altis: da expectativa à desilusão Paulo Pimenta
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Eduardo Ferro Rodrigues Paulo Pimenta
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Manuel Alegre e o rosto do desânimo Paulo Pimenta
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António Costa: “Manifestamente não me demito” Paulo Pimenta

“Manifestamente não me vou demitir”, disse taxativamente António Costa, ainda antes das 23h, já depois de colocar sobre a coligação de direita o “ónus” de “criar condições de governabilidade”.

O seu plano, portanto, é preparar um governo por si liderado enquanto a coligação se defronta com um Parlamento sem mandatos suficientes para aprovar as “suas políticas”.

O ex-autarca não terá no entanto um partido unido atrás de si quando ensaiar essa estratégia. Assim que os resultados eleitorais começaram a revelar a vitória da coligação, o conjunto de dirigentes derrotados na última disputa interna não perderam tempo a exigir a demissão do actual líder.

As declarações foram muitas e dispersas pelo país. Mas Álvaro Beleza assumiu a ruptura no mesmo local onde Costa garantira a sua manutenção no cargo. O ex-membro do secretariado de Seguro esperou pela declaração do secretário-geral e, à saída do quartel-geral socialista das eleições, fez a sua declaração de guerra. "Não se pode disputar um partido depois de uma vitória por poucos e depois de uma derrota clara não haver assumção de responsabilidades e clarificação”, disse ladeado por Eurico Brilhante Dias, outro ex-membro da direcção de Seguro. À medida que abandonava o local, alguns socialistas presentes fizeram questão de o cumprimentar depois de o ouvir falar no hall do Altis.

António Costa, no entanto, estava noutro patamar. A sua agenda para os próximos tempos é a de transformar uma governação da coligação num atoleiro, ao mesmo tempo que trabalha para criar aquilo que a direita não tem condições para conseguir.

Na sua decalaração ao país, Costa destacou a “perda da maioria”, que representava “um novo quadro político” no qual o PSD e o CDS tinham o “ónus” de criar “condições de governabilidade”.

“O PS sempre foi defensor de moções de censura construtivas”, disse, antes de garantir que não iria “viabilizar a prosecução pela coligação da sua política”. Mas adiantou que não se poderia contar em ser apenas “uma maioria do contra”.

Traduzido por uma dirigente do PS, Costa tenciona ir “à luta” nos primeiros embates que o próximo governo de direita terá: “Banco BES, défice e aumento de impostos”. “O PS não vai aprovar cortes de salários e de pensões”, garantiram ao PÚBLICO. E no meio desse atoleiro, a liderança do PS trataria de “encontrar soluções de governabilidade” à esquerda. O plano é poder apresentar uma solução com base em “acordos de incidência parlamerntar medida a medida”.

Houve quem insistisse na ideia, como o ex-líder Ferro Rodrigues. “Quem tem de se adaptar a uma nova lógica parlamentar é a coligação", disse Ferro Rodrigues. "É bom que [PSD e CDS-PP] percebam que vai ser tudo muito diferente".

A oposição interna, no entanto, não está disponível para dar uma segunda oportunidade a Costa. A comissão política para esta terça-feira será o primeiro palco para a confrontação que exigiu Beleza.

A contestação chegou dos mais variados locais. O ex-dirigente distrital José Junqueiro assumiu-o a partir de Viseu. “No início desta legislatura, o PS iniciou uma oposição construtiva e ebteve sucesso nas eleições autárquicas e europeias. Esse processo foi interrompido pelo doutor António Costa que defendeu uma vitória rápida nestas eleições. Os resultados desta noite contrariam esses objectivos. Estamos à espera que o secretário-geral interprete estes resultados”, disse ao PÚBLICO.

Mota Andrade, líder da federação do PS de Bragança, lamentou a derrota do partido e pediu a demissão de Costa para que se “repense a política” e haja “novos intervenientes”. João Ribeiro criticou abertamente Costa: “Uma conferência de imprensa de António Costa absolutamente lamentável. Cada voz do PS que se cale perante este exercício de cinismo e de alienação estará a condenar o PS a uma irrelevância dificilmente recuperável”.

Mas Francisco Assis afastava este domingo qualquer intenção de avançar para a liderança dos socialistas, avisando que “não patrocinará nenhum movimento dentro do PS” nesse sentido e sai em defesa do secretário-geral. “Não tenho a mais pequena disponibilidade para ser candidato e estou muito bem onde estou”, declarou, deixando um sinal de que não se vai deixar empurrar para uma candidatura.

Vítor Ramalho, próximo de Mário Soares, foi menos agressivo falando numa solução que apelasse à unidade do partido. Sem entrar num processo de “flagelação interna”, mas começando já a “centrar e a analisar as causas externas e internas para esta situação”. Foi assim que o ex-deputado e antigo líder da federação distrital de Setúbal confirmou a intenção de um grupo de socialistas para avançar com a proposta de agendar um congresso extraodinário do PS para depois de Março.

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