UA proporciona pequenos almoços saudáveis a quem se desloca de bicicleta

Proposta iniciada este ano lectivo contempla ainda a possibilidade de os alunos, professores ou funcionários “ciclistas” tomarem duche na universidade.

Em Maio, a Associação Académica da Universidade de Aveiro promoveu uma campanha de recolha de bicicletas usadas para as vender a preços simbólicos a estudantes da instituição
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Em Maio, a Associação Académica da Universidade de Aveiro promoveu uma campanha de recolha de bicicletas usadas para as vender a preços simbólicos a estudantes da instituição Adriano Miranda

Ao fazer grande parte das suas deslocações para a Universidade de Aveiro (UA) de bicicleta, Tiago Soares, aluno do mestrado em Planeamento Regional e Urbano, deparou-se, no ano lectivo anterior, com um problema: “muitas vezes chegava transpirado e precisava de um duche”. “Perguntei se havia possibilidade de passar a tomar um duche no pavilhão desportivo, antes de ir para as aulas, e acabei por obter uma resposta positiva”, relata o aluno da UA que acabou por dar uma ideia à Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da instituição de ensino superior.

Uma vez que existe o objectivo de colocar cada vez mais elementos da comunidade académica aveirense a fazerem as suas deslocações diárias de bicicleta, a plataforma agarrou na proposta, associou-se aos Serviços de de Acção Social da UA e acrescentou-lhe mais um ponto forte: além de poder tomar duche no Pavilhão Aristides Hall, quem se deslocar para a universidade de bicicleta tem a possibilidade de tomar um pequeno-almoço saudável, nos bares da instituição, a preços especiais. Estas duas apostas entraram em vigor no ano lectivo que está agora a iniciar-se e já contam com dezenas de aderentes.

“Nos pequenos-almoços, por exemplo, já temos quase 40 inscrições”, adiantou ao PÚBLICO José Carlos Mota, da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave. Ainda que reconheça ser ainda cedo para fazer um balanço às iniciativas, José Carlos Mota assegura que “as primeiras impressões” são positivas. “Os parques de estacionamento da UA para bicicletas começam a ficar cheios”, especifica este responsável, sem deixar de revelar que “a universidade já está a fazer projectos para alargar a sua rede de parques para bicicletas”. <_o3a_p>

De acordo com um estudo apresentado este ano – e realizado no âmbito do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano (mais concretamente na unidade curricular de Planeamento da Mobilidade) – o número de pessoas que usam a bicicleta para se deslocarem de e para a Universidade de Aveiro ascende a cerca de 200. “Agora, vamos realizar novo estudo e tentar perceber qual o número actual, uma vez que, com estas medidas e outras que temos vindo a implementar, acreditamos que sejam já mais alunos, professores e funcionários a usar a bicicleta”, enquadra José Carlos Mota. <_o3a_p>

No caso destas duas novas apostas, apenas obrigam a que os interessados se registem na plataforma (site) dedicada ao projecto. O pequeno-almoço designado de “Menú Bicicleta” tem um custo de 1,5 euros e apresenta quatro opções (todas elas saudáveis q.b). Já os duches custam 0,70 euros e estão disponíveis das 8h30 às 10h00 - os duches e o pequeno almoço são independentes entre si, ou seja, a adesão a uma das propostas não implica o recurso à outra. <_o3a_p>

Projectos não se ficam por aqui
Estas duas propostas surgem associadas a outras medidas avançadas pela Plataforma para a Bicicleta e Mobilidade da UA para levar a que a bicicleta seja cada vez mais o meio de transporte usado pela comunidade académica aveirense. Exemplos? A acção “Quintas a pedal para a UA”, que lança o desafio de, uma vez por semana, os elementos da comunidade académica abdicarem do conforto do transporte automóvel, aventurando-se numa viagem de bicicleta até ao campus. “A campanha está a correr bem e já temos outras acções a serem pensadas”, desvenda José Carlos Mota. Quais? “Vamos ter uma campanha para arranjar roupa apropriada para a chuva. No fundo, queremos desmistificar essa ideia de que em dias de chuva não se pode andar de bicicleta” refere este responsável da plataforma aveirense, ao mesmo tempo que lembra o exemplo que é dado pelos habitantes dos países do Norte da Europa – com invernos mais rigorosos que os nossos, continuam a usar a bicicleta. Segundo José Carlos Mota, as propostas não irão parar, perspectivando-se que possam ganhar ainda mais fôlego. Tanto mais porque, refere este responsável, há um programa no Portugal 2020, “designado de U-bike que vai financiar a aquisição de bicicletas por parte dos centros universitários. E a UA pretende aproveitar essa oportunidade e apresentar uma candidatura”.

Com todos estes projectos, a universidade aveirense começa a afirmar-se, cada vez mais, como um exemplo em matéria de mobilidade ciclável, na certeza de que quem mais sente os benefícios de todas estas apostas são os utilizadores da bicicleta. “Já contabilizei o tempo ao pormenor e indo de bicicleta chego mais rápido à UA”, assevera o aluno Tiago Soares, a propósito da sua experiência pessoal. “São cinco quilómetros, mas entre trânsito e o tempo que levo a estacionar, chego mais rápido de bicicleta”, remata.  <_o3a_p>